Grupo Bittencourt
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De cada 10 brasileiros, 9 usam o celular para trabalhar fora do expediente

Publicado por Grupo BITTENCOURT outubro 19, 2018
Atualizado em janeiro 19, 2023
Celular fora do expediente de trabalho

Pesquisa da Deloitte aponta que vidas pessoal e profissional estão cada vez mais entrelaçadas pelo uso do smartphone
Companheiro inseparável da grande maioria dos brasileiros, o smartphone é, cada vez mais, a famosa faca de dois gumes: se o contato social aumenta e as formas de se relacionar se multiplicam, não é só na esfera pessoal: o trabalho, o chefe e as obrigações profissionais vêm junto.

Em nova edição da Global Mobile Consumer Survey, pesquisa internacional da Deloitte sobre os hábitos de uso de dispositivos móveis, mostra que cresceu o número de brasileiros que relatam dificuldade em separar horários de trabalho e vida pessoal: dos mais de 2 mil entrevistados no levantamento, 33% afirmam usar “muito frequentemente” o telefone celular para assuntos de trabalho fora do horário do expediente – percentual que, no ano passado, era de 17%. Outros 30% o fazem “frequentemente”, enquanto 28% trabalham “ocasionalmente” quando, em teoria, não deveriam.
Ou seja, apenas um de cada dez brasileiros entrevistados não precisa responder um e-mail, uma mensagem do chefe ou atender uma ligação relacionada ao emprego (as três atividades mais realizadas, segundo a Deloitte) fora do horário de trabalho.
Celular fora do expediente de trabalhoTambém ocorre o oposto: 39% das pessoas com quem a Deloitte falou dizem que “muito frequentemente” usam o smartphone para resolver assuntos pessoais durante o expediente – 12 pontos percentuais a mais que os 27% do ano passado. Outros 37% fazem isso “frequentemente”, e 20% “ocasionalmente”. Restam apenas 4% que não precisam se preocupar com o assuntos não relacionados ao trabalho durante o dia a dia profissional.
Para Marcia Ogawa, sócia-líder de tecnologia, mídia e comunicações da Deloitte, que apresentou o estudo em evento nesta manhã (18/10), o crescente entrelaçamento entre vida pessoal e profissional é um “caminho sem volta”, e pode, se bem controlado, trazer efeitos positivos para profissionais e empresas, como a possibilidade de estabelecer novos fluxos de trabalho em plataformas específicas.
“As pessoas interpretam que isso seja negativo, mas não é. Muitas vezes, o que acontece é que as empresas estão utilizando seus próprios aplicativos no celular. Isso porque aumenta produtividade e dá flexibilidade para o trabalhador, faz parte da nova economia”, diz.
Ela não nega que “excessos” e “desajustes” aconteçam, e que essa relação muitas vezes precisa ser melhor balanceada. Na própria pesquisa da Deloitte, 32% dos entrevistados dizem que tentam limitar o uso do smartphone, mas não conseguem (em 2017, 21% do total concordavam com a afirmação). Mas trata-se, afirma a sócia da empresa, de um movimento definitivo na forma de se trabalhar, e que a solução é aperfeiçoá-lo.
“É um caminho sem volta. Da mesma maneira que no passado tivemos com o computador, quando ele de fato entrou na vida profissional e todo mundo precisou ter um no trabalho. O celular é a mesma coisa, é mais uma ferramenta de trabalho que se tonra essencial”, diz.
No levantamento da Deloitte, 92% dos brasileiros entrevistados usam ou usaram recentemente um smartphone. Com 5 pontos a mais que o verificado na última pesquisa, o dispositivo é disparado o mais usado – o notebook, segundo colocado, tem 70% (3 pontos a mais que em 2017). Computadores desktop (66%, com crescimento de seis pontos) e tablets (48%, alta de 4 pontos) vêm na sequência.
O crescimento dos telefones inteligentes é ininterrupto. Enquanto todos os outros aparelhos citados acima se mantiveram constantes nos quatro anos de pesquisa, os smartphones saltaram de 77%, há quatro anos, passando por 80%, 87% antes de chegar aos 92% atuais.
E, quem usa, usa o tempo todo. Dos 2000 entrevistados, apenas 3% não o utilizam todos os dias. Além disso, 80% afirmam abrir o Whatsapp pelo menos uma vez por hora; 52%, o Facebook; e 46%, o e-mail pessoal. Já 58% do total assistem todos os dias vídeos ou histórias em tempo real de seus amigos – os famosos stories de Instagram, Whatsapp e Facebook e snaps do Snapchat.
O uso em excesso, porém gera consequências negativas que são reconhecidas pelos donos dos aparelhos. Dos que participaram da pesquisa, 35% dizem que sentem necessidade de conferir constantemente o telefone; 30% não dormem no horário pretendido; 16% sentem dores físicas (na cabeça, nos dedos, etc) e 13% relatam problemas de visão. Apesar 22% das pessoas afirmaram não sentir nenhum efeito colateral em função do constante uso do smartphone.
Fonte: Época Negócios