Varejistas americanas anunciam o fechamento de 4,8 mil lojas

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Nos dois primeiros meses deste ano, as varejistas americanas revelaram planos de fechar cerca de 4,8 mil lojas, uma escalada que vai intensificar preocupações em torno da eliminação de postos de trabalho, num momento em que as redes físicas se veem às voltas com a ascensão implacável da Amazon. Os fechamentos, que representam mais que o dobro do número anunciado nas 10 primeiras semanas de 2018, de acordo com dados da Coresight Research, seguem-se a um ano no qual varejistas em dificuldades foram impulsionadas por uma sólida economia e redes mais bem-sucedidas investiram para tornar as lojas mais atraentes. O número é quase tão elevado quanto o de 2018 como um todo, quando o total de fechamentos de lojas caiu para 5,4 mil, a partir dos quase 7 mil do ano anterior. Os shopping centers são os estabelecimentos que estão sendo especialmente pressionados, depois que o comércio eletrônico obrigou várias marcas conhecidas a reduzir sua presença física. Só nos últimos 10 dias, a Gap informou que fechará 230 lojas, a Victoria’s Secret, 50 e a Abercrombie & Fitch nada menos que 40. Uma onda de falências intensificou o ritmo de fechamentos. Vendas de queima de estoque estão sendo realizadas na Payless Shoesource, que está fechando todas as 2,1 mil lojas que possui em território americano. A Charlotte Russe, uma rede de confecções femininas para jovens, tinha esperança de manter a maior parte de seus 510 pontos de venda abertos apesar do pedido de falência protocolado no mês passado, mas um liquidante foi nomeado na semana passada. “A desaceleração [no ritmo de fechamentos] que vimos em 2018 parece ter sido uma breve pausa”, disse Deborah Weinswig, fundadora da Coresight Research. Ela prevê que o número total de fechamentos de lojas alcançará cerca de 12 mil neste ano. Dados econômicos publicados hoje mostraram que houve uma redução de 6,1 mil vagas no varejo americano entre janeiro e fevereiro, de acordo com dados corrigidos sazonalmente. Estão previstas novas perdas para o restante deste ano. As varejistas anunciaram mais de 41 mil fechamentos de vagas até esta altura do ano, quase o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com a consultoria Challenger, Gray & Christmas. “Há dezenas de milhares de pessoas em todo o país que vão ficar desempregadas e se perguntam como é que vão pôr comida na mesa”, disse Lily Wang, vice-diretora do grupo de defesa dos direitos do trabalhador do varejo Rise Up Retail. Ela acrescentou que muitas das redes em processo de falência estavam abarrotadas de dívidas repassadas por grupos de “private equity”. “Há algo fundamentalmente errado com a nossa economia [para que] isso possa ocorrer com um setor inteiro.” Apenas 2.260 aberturas de lojas foram anunciadas até esta altura do ano. Wall Street, no entanto, aceitou os planos de fechamento com tranquilidade. As ações das principais empresas americanas de shopping centers, de acordo com os referenciais adotados nas mensurações do índice Retail Reits do S&P 500, subiram cerca de 7% no ano. Investidores de empresas de shopping centers, além disso, deram poucos sinais de preocupação. O índice conhecido como CMBX 6 – que monitora o desempenho de empréstimos securitizados para aquisição de imóveis comerciais, com concentração no varejo — subiu 4,4% em 2019. Os planos de fechamento são o sinal mais recente de polarização do varejo dos Estados Unidos. Enquanto muitas redes enfrentam dificuldades para se adaptar à era digital, outras registram algumas de suas melhores vendas em vários anos. As ações da Costco subiram 5% hoje, após a empresa ter divulgado um aumento de 5,4% nas vendas em lojas operadas há um ano ou mais em seu segundo trimestre fiscal, e uma elevação de 27% do lucro líquido. Mas estão previstos centenas de novos fechamentos de redes falidas, entre as quais a Advanced Sports Enterprises, controladora da Performance Bicycle, a Gymboree, loja especializada em moda infantil, e a rede ShopKo. Entre as demais empresas que anunciaram planos de fechamento na semana passada estão a Dollar Tree, cuja divisão Family Dollar enfrentou dificuldades, apesar da ascensão do varejo de baixo preço. Ela pretende fechar nada menos que 390 lojas Family Dollar. Michelle Russel-Dowe, diretora de crédito securitizado da Schroders, disse que de 20% a 25% dos shopping centers americanos “muito provavelmente não precisariam existir”. Mas acrescentou que, para os demais, situados em locais melhores, a saída de um inquilino em dificuldades deu ao proprietário a oportunidade de cobrar aluguéis maiores. “Isso muitas vezes dá àquele shopping a oportunidade de pôr um inquilino melhor no lugar”, disse ela. Barbara Denham, economista-sênior da Reis,  especializada em imóveis comerciais, também está otimista com as perspectivas do setor. “Há novos inquilinos chegando”, disse. “Muitas dessas marcas eram velhas, estavam cansadas e não acompanhavam as últimas tendências [da moda].” Fonte: Valor Econômico