País ganhará mais 12 ‘outlets’ até 2019

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O faturamento dos chamados outlets — centros de compras em que as marcas de luxo oferecem seus produtos com desconto — cresceu 28% no ano passado e chegou a R$ 3,2 bilhões. Neste ano, caso as previsões se confirmem, o valor das vendas destes empreendimentos deve aumentar 40,6%, para R$ 4,5 bilhões. Diante do resultado, investidores ampliam as apostas neste modelo de centro comercial. Atualmente, existem 13 em operação no país. A previsão é que, até 2019, outros 12 sejam inaugurados, com investimentos que somam cerca de R$ 500 milhões. O Rio de Janeiro vai ganhar o primeiro outlet do país com investimento estrangeiro em 2018. O centro de compras será âncora em um parque comercial, construído pelo grupo espanhol Indret, no município de Itaguaí, na saída do Rio de Janeiro para Angra dos Reis. O investimento previsto ficará entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões. — O contrato com o grupo espanhol já foi assinado. Estamos na fase de road show, fazendo contato com os lojistas para o processo de pré reservas no empreendimento — diz André Costa, da About, consultoria especializada em outlets, que tem parceria com os espanhóis para desenvolvimento do projeto no país. Empresa familiar, o grupo Indret, com sede em Barcelona, atua no ramo imobiliário há pelo menos 20 anos, segundo Julian Matos, diretor da Indret no Brasil. A empresa investiu em empreendimentos residenciais no Brasil, nas cidades de Fortaleza e Salvador, e está no país desde 2008. Itaguaí foi escolhida pelo potencial de crescimento. Será o segundo outlet do Rio de Janeiro. O primeiro já funciona desde 2015 em Duque de Caxias, que pertence ao grupo General Shopping, e recebeu três milhões de visitantes no ano passado. Parcelamento, sem juro do cartão No Brasil, esse modelo de centro de compras vem ganhando força nos últimos três anos. Para o consultor especializado em varejo Bruno Pamplona, eles atraem todas as classes sociais pela possibilidade de pagar em parcelas, muitas vezes sem o juro do cartão, além da busca por produtos de qualidade. Muita gente que se acostumou a frequentá-los nos EUA deixou de de viajar ao exterior com o dólar mais alto. — Agora, encontra os mesmos produtos aqui, e com preço mais competitivo. Nos últimos cinco anos, mais de cem marcas estrangeiras desembarcaram no Brasil — afirma Pamplona. A crise ajudou o crescimento deste modelo de varejo com descontos, mas o brasileiro gosta de pechinchar e caçar ofertas, e isso vale também para as marcas de luxo, diz Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW, empresa especialista em shopping centers, do Grupo GS&MD Gouvêa de Souza: — Mesmo quando a crise passar, os outlets vão continuar crescendo e ganhando escala — diz Marinho, observando que isso vai permitir que as marcas fabriquem produtos exclusivamente para os outlets, como já fazem nos EUA, onde 82% dos produtos oferecidos são feitos especialmente para o segmento. Na décadas de 1980 e 1990, o Brasil já teve uma fase de outlets, baseados num modelo de lojas de fábrica, explica Marinho. Agora, afirma ele, ganha impulso um movimento com lojas de grife. Conhecido por associar seus shoppings a marcas de luxo, o empresário Carlos Jereissati, presidente da Iguatemi Empresa de Shoppings Centers, dona, entre outros, dos shoppings Iguatemi e JK, em São Paulo, está apostando em outlets premium para expandir o grupo. Desde 2013, eles já são sócios de um centro de compras, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e planejam erguer mais três: em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. — É um novo caminho de crescimento para a companhia a curto prazo, sem perder o foco nos shoppings convencionais. O outlet de Santa Catarina será inaugurado em 2018. Os lojistas queriam abrir quando a economia já estivesse crescendo. E tem dois novos projetos, um no Paraná e outro em Minas Gerais, em aprovação para o futuro — explica o empresário. Jereissati conta que, em seus shoppings, a maior parte do público pertence às classes A e B. Mas, há alguns anos, houve uma demanda dos lojistas para que o grupo tivesse uma operação focada em desconto. — A crise e a tendência de busca por descontos criaram uma base de consumidores que, além de comprar no varejo tradicional, também compram no varejo de oportunidade, que é o outlet — afirma. Para Jereissati, os outlets não concorrem com os shoppings, são empreendimentos complementares. Mas ele pondera que devem ser construídos a uma distância de ao menos 50 quilômetros de grandes centros e receber mercadorias concebidas especificamente para os outlets ou sobras de coleções anteriores. Na comparação com os shoppings, o faturamento dos outlets ainda pode ser considerado pequeno. No ano passado, os 558 shoppings existentes no país movimentaram em vendas R$ 157,9 bilhões. Em termos reais (descontada a inflação), o faturamento dos shoppings caiu 2% ano passado. Os dados são da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), que prevê expansão de 5% este ano, um pouco acima da inflação prevista, de 4,4%. Disposição para consumir Nos outlets, marcas de grife, como Hugo Boss, Carmen Steffens, Armani, Burberry e Calvin Klein, vendem seus produtos com, no mínimo, 30% de desconto. O valor menor é obrigatório por contrato, mas podem ser encontrados descontos entre 70% e 80%, dependendo da época do ano. — É a busca da qualidade com preço que caiba no orçamento — diz André Costa, da About. Marinho, da GS&BW, observa que entre as desvantagens para quem quer comprar em outlets está a distância destes empreendimentos em relação aos grandes centros urbanos. Ele cita também que, em muitos casos, a qualidade dos produtos oferecidos não é a mesma da loja original. No Brasil, alguns fabricantes tratam os outlets como ponta de estoque ou oferecem a sua “segunda marca”: — Mesmo sendo de qualidade inferior, em alguns casos, o consumidor não reclama e viaja até os outlets, porque vê vantagem em ter desconto numa peça de grife. O especialista observa que o consumidor dos outlets vai a estes centros disposto a gastar com compras, diferentemente dos shoppings, onde  63% dos frequentadores vão a lazer. Vender a um preço mais em conta nos outlets é possível porque os custos fixos de abrir uma loja equivalem a 30% do que seria gasto num shopping, explica Costa, da About. Os projetos de outlets são concebidos com apenas um ou dois andares, sem muitas escadas rolantes ou elevadores, o que barateia a construção e a manutenção. O estacionamento costuma ser ao redor do empreendimento. Além disso, a maioria é construída em terrenos adquiridos por preços mais baixos, já que são áreas mais afastadas dos grandes centros. O tíquete médio das pessoas que fazem compras nestes centros gira em torno de R$ 250 a R$ 300. Nos shoppings, o tíquete médio aumentou de dois anos para cá, de R$ 196,81 em 2012 para R$ 243,82 no ano passado, segundo a Abrasce. Por João Sorima Neto Fonte: O Globo