Transformação Digital na terceirização de serviços

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Imagine uma empresa de serviços terceirizados. Ela conta com uma equipe de 50 pessoas realizando serviços de limpeza em duas dezenas de empresas em uma grande cidade brasileira. Essa equipe se divide e se desloca todos os dias, cruzando a metrópole para atender os clientes. Atrasos representam perdas. Deslocamentos inúteis, também. Como evitar esse tipo de gargalo?  Hoje, a tendência do mercado de terceirização de serviços é de crescimento, depois das mudanças na legislação trabalhista, que tornam mais fácil a contratação de mão de obra terceirizada. O que impõe um desafio para o setor acompanhar a demanda com eficiência. O impacto da inteligência artificial A saída pode estar na tecnologia. O avanço dos sistemas de Inteligência Artificial e de geolocalização vai permitir, em breve, gerenciar informações sobre a localização do funcionário. Onde está e onde deveria estar, qual seu tempo de deslocamento. Se algum funcionário avisa que não chegará a tempo no cliente, outro pode ser deslocado de um local próximo, se você tiver um sistema ágil de gestão de equipes. “A TOTVS vem trabalhando numa solução nesse sentido”, explica Marcelo Cosentino, vice-presidente dos segmentos Services da TOTVS. O segredo para o bom uso da inteligência artificial associada à análise de dados é misturar bancos de dados para encontrar padrões que sejam importantes para o monitoramento das empresas. Como, por exemplo, a performance de um determinado funcionário que atende um cliente. Quanto tempo leva o atendimento, qual o tempo de deslocamento para atender outro cliente, qual a melhor alocação para aquele funcionário. Tudo isso pode fazer diferença na hora de determinar preços e controlar custos. Precificação inteligente “Esse tipo de tecnologia pode ajudar muito na precificação dos contratos”, explica Cosentino. “Ao vencer um contrato, uma empresa de serviços deveria levar em conta o trânsito no deslocamento ao cliente, para saber o tempo gasto e o consumo de combustível, por exemplo”. Há outras possibilidades, como a redução do gasto com insumos. Digamos que uma empresa precisa comprar copos descartáveis em grandes quantidades. Um sistema inteligente de monitoramento de preços poderia descobrir quanto o concorrente está pagando no mesmo produto, igualando condições de competitividade. “Muitas empresas criaram clubes de compras, mas você precisa ter um determinado porte”, diz Cosentino. “Temos condições de criar algo parecido para empresas menores”.  Na verdade, quanto mais cresce o cloud computing, maior é a possibilidade de serviços inteligentes interligados. Curva de adoção O avanço é inexorável. Pouco a pouco, ferramentas avançadas começam a ser utilizadas no setor de serviços. Isso impulsiona uma revolução que teve início com o desenvolvimento da comunicação móvel e o uso em massa de tablets e smartphones. Segundo Jaime de Paula, CEO da empresa de Big Data Neoway, o uso de soluções de análise de dados e inteligência artificial vai ganhando espaço, primeiro em segmentos e empresas que oferecem serviços mais sofisticados, como o setor de finanças, mídia ou software. “Pouco a pouco, essas tecnologias serão adotadas nos segmentos de mercado mais básicos, à medida que ganhem escala”, prevê. E isso pode acontecer mais rápido do que se pensa. Todo mercado tem seus early adopters, aqueles pioneiros que investem e experimentam as novidades tecnológicas antes dos concorrentes. Não é diferente no setor de serviços. “A curva de adoção das novas tecnologias tende a se acelerar”, afirma de Paula. As vantagens proporcionadas por soluções digitais avançadas são tantas que só restará aos concorrentes abraçar essas tecnologias ou ficar para trás. Recursos Humanos Ao mesmo tempo, o gerenciamento de Recursos Humanos nas empresas de serviços será outro setor que vai sofrer forte impacto com a adoção de novas tecnologias. Antes de mais nada, é preciso observar as condições específicas do trabalhador empregado em uma empresa de serviços terceirizados. Na maioria das vezes, ele faz trabalhos de campo ou diretamente nas empresas dos clientes, e passa pouco tempo na sede da companhia que o emprega. Por isso, soluções móveis de RH serão muito bem-vindas no setor, porque darão mais conforto aos funcionários para acessar, a distância, a folha de pagamento, dar entrada em pedido de férias e outras funcionalidades ligadas ao setor de recursos humanos. Em tese, seria possível até mesmo desenvolver um sistema para que o funcionário assinasse o ponto pelo celular, mas por enquanto essa inovação não é permitida pela legislação brasileira. Cosentino observa que, nas últimas décadas, o setor de serviços passou a ocupar o lugar de principal gerador de empregos, com a perda de primazia da indústria na economia brasileira. No entanto, isso pode mudar. “A tecnologia vai trazer mais competitividade e eficiência, mas isso deve custar postos de trabalho”, afirma. Disrupção laboral A disrupção na indústria de serviços está em toda parte, como na Spare5, uma startup que coloca à disposição pessoas de diversas localidades para executar pequenas tarefas via aplicativo, como pesquisa de preços, pesquisa de campo e etc. Cada tarefa é remunerada. A empresa contratante seleciona os executores das tarefas com base no perfil demográfico e avalia o atendimento a suas necessidades. Isso tudo sem contrato de trabalho ou remuneração física. Mais um sinal de uma grande revolução que chega ao mercado de trabalho. Para Vander Morales, presidente da Federação Nacional das Empresas de Trabalho Temporário e Serviços Terceirizáveis, o avanço tecnológico é uma mudança estrutural que remodela o mercado laboral. Segundo ele, vivemos uma mudança de paradigma, que exige uma resposta não apenas das empresas, mas também dos legisladores. “Ser um funcionário em tempo integral não deve ser visto mais como padrão e as regras precisam se adaptar a essa nova realidade”, diz. Morales observa que, nessa nova sociedade digital, a noção de “tempo de trabalho” precisa ser redefinida especialmente por causa da crescente interferência do trabalho na vida pessoal. A digitalização e uma divisão internacional expandida do trabalho significa que estamos mais interligados do que nunca. “A tecnologia oferece uma grande oportunidade para que os empresários e a sociedade inovem constantemente e iniciem novos negócios. No entanto, a natureza e a velocidade da inovação tecnológica criam essa grande ruptura no mundo do trabalho”, explica. A hora da motivação Nesse cenário de mudança das relações de emprego, os funcionários precisarão estar mais motivados do que nunca. E nessa hora, a tecnologia poderá ajudar, e muito, os administradores. Os sistemas de inteligência artificial e Big Data podem monitorar informações sobre o funcionário, avaliar o momento de vida dele por meio de suas postagens em redes sociais e sugerir ações que possam motivá-lo. Isso pode ser crucial numa indústria com alto índice de turnover e num país com alto custo de contratação como o Brasil. Nesse contexto, soluções como a plataforma fluig, da TOTVS, com funções de redes sociais podem ser integradas às ferramentas de RH para permitir uma melhor comunicação com os colaboradores. Cultura em transformação É importante perceber que todas essas mudanças dependem de uma mudança na cultura das empresas. “Apesar das reações e resistências dos empresários que ainda vivem no ambiente jurássico, aquele não inserido no mundo digital, móvel e global, a economia colaborativa vai avançar quer aceitem ou não e quanto mais demorarem a aceitar e buscar usufruir dessa nova realidade pior será”, alerta a consultora Claudia Bittencourt, diretora do Grupo Bittencourt. A reação, no entanto, vai além do uso de novas ferramentas. “A simples adoção de tecnologia não é necessariamente transformadora, se não transformar o modelo de negócios”, diz Cosentino. A hora de aderir à revolução digital, portanto, é agora. Empresas de menor porte costumam ter muito mais flexibilidade para mudanças dessa natureza.  E quem sair na frente pode consolidar uma vantagem considerável na corrida rumo ao futuro. Fonte: TOTVS