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NRF 2026: o FairPrice Group mostra que o varejo pode escalar eficiência sem abrir mão de impacto social

Na NRF 2026, o FairPrice Group apresenta um modelo raro em que propósito social, disciplina econômica e tecnologia aplicada não competem entre si. Eles se reforçam.

Em um evento marcado por discursos sobre inteligência artificial, automação e eficiência operacional, a palestra “Building the Store of Tomorrow: FairPrice Group’s Blueprint for Growth and Innovation”, apresentada por Vipul Chawla, CEO do FairPrice Group, trouxe uma perspectiva menos comum e, por isso mesmo, mais relevante.

O FairPrice não começa sua estratégia pela tecnologia. Começa por uma pergunta anterior, que poucas empresas ainda se permitem fazer: qual é o papel do varejo na vida das pessoas quando o custo de vida se torna uma pressão estrutural?

Essa pergunta não é retórica. Ela está na origem do grupo.

 

Um varejo que nasce como política pública e evolui como negócio

O FairPrice Group foi criado em 1973 como uma cooperativa, a partir de uma iniciativa do movimento sindical de Singapura, com o apoio do governo, para estabilizar preços e melhorar o custo de vida da população. O objetivo nunca foi apenas vender alimentos, mas garantir acesso, previsibilidade e equilíbrio em um país altamente dependente de importações.

Esse dado histórico não é decorativo. Ele explica decisões estratégicas tomadas até hoje.

Mesmo após mais de cinco décadas, o FairPrice segue operando com uma lógica incomum no varejo global: retorna apenas o custo de capital e reinveste excedentes em iniciativas sociais, programas de apoio à comunidade e subsídios direcionados a públicos mais vulneráveis.

 

“Quando o negócio nasce para resolver um problema real da sociedade, o propósito deixa de ser discurso e passa a ser critério de decisão.”

Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT

 

É a partir dessa base que o grupo constrói escala, eficiência e inovação. Não apesar dela.

 

Tecnologia como meio para cumprir missão, não como fim em si mesma

A chamada Store of Tomorrow apresentada pelo FairPrice ganha outra leitura quando colocada nesse contexto. A tecnologia não entra para criar experiências futuristas, mas para proteger a missão original do negócio em um ambiente mais complexo e competitivo.

Inteligência artificial, visão computacional e automação são aplicadas onde existe fricção real para o consumidor e para a operação. Redução de filas, melhor navegação na loja, personalização de ofertas e ampliação de sortimento via endless aisle não são inovações cosméticas. São ferramentas para manter preços acessíveis, reduzir desperdício e aumentar eficiência.

No back office, soluções como o Grocer Genie ampliam a capacidade dos gestores de loja ao oferecer insights em tempo real sobre ruptura, estoque e fluxo de clientes. O foco não é substituir pessoas, mas qualificar o trabalho da linha de frente, tornando-o menos operacional e mais analítico.

Esse ponto é central para o varejo: tecnologia só cria valor quando está a serviço de um objetivo claro. Caso contrário, vira custo.

 

Omnichannel como infraestrutura de eficiência e acesso

Em mercados maduros como Singapura, a integração entre físico e digital já não é tema de adoção, mas de sustentabilidade econômica. O FairPrice trata o aplicativo como infraestrutura da loja física, conectando dados, estoque e recorrência em um único sistema.

Essa integração reduz custo de aquisição, melhora previsibilidade de demanda e permite operar com maior eficiência logística, sem deslocar o papel social da loja física como ponto de acesso essencial para a população.

Aqui, o omnichannel deixa de ser discurso de modernização e passa a ser instrumento para garantir acesso, conveniência e controle de custos, coerente com a origem cooperativista do grupo.

 

Loja da Fair Price/ Divulgação Fair Price Group
Loja da Fair Price/ Divulgação Fair Price Group

 

Marca própria como política de acesso, não apenas margem

Outro ponto que ganha novo significado à luz do impacto social é a estratégia de marcas próprias. No FairPrice, private label não é extensão do merchandising. É política estruturante de preço e acesso.

As marcas próprias operam como uma unidade de bens de consumo independente, com critérios rigorosos de qualidade e com a exigência de chegar ao mercado com vantagem de preço relevante em relação aos líderes de categoria.

O resultado é um portfólio que compete em escala, sustenta margens e, ao mesmo tempo, cumpre a função original do grupo: oferecer produtos essenciais a preços mais justos, inclusive em momentos de pressão inflacionária.

 

O lugar dessa palestra na narrativa da NRF 2026

Ao lado das falas da PacSun e de Ryan Reynolds, o FairPrice Group ocupa um papel fundamental na narrativa do evento. Enquanto outras palestras discutem comunidade, autoria e conexão humana, o grupo asiático mostra como essas ideias se sustentam quando encontram estrutura, governança e responsabilidade social.

O futuro do varejo não está na escolha entre impacto social e eficiência econômica. Está na capacidade de operar os dois de forma integrada.

 

O que o varejo pode aprender com o FairPrice Group

  • Propósito social pode ser ativo estratégico quando orienta decisões estruturais
  • Tecnologia cria valor quando protege a missão do negócio
  • Omnichannel maduro é ferramenta de eficiência, não discurso de inovação
  • Loja física segue central quando garante acesso e relacionamento
  • Marca própria pode ser instrumento de política de preço, não apenas de margem
  • Impacto social consistente exige método, governança e escala

 

A visão do Grupo BITTENCOURT

O FairPrice Group demonstra que o varejo não precisa escolher entre relevância social e competitividade econômica. Quando o negócio nasce para resolver um problema concreto da sociedade, inovação deixa de ser espetáculo e passa a ser responsabilidade.

Em um cenário global marcado por pressão de custos, polarização e desconfiança institucional, modelos como o FairPrice mostram que o varejo pode, sim, ser agente de equilíbrio, desde que tenha clareza de propósito e coragem de executá-lo ao longo do tempo.

Mais do que a loja do futuro, o FairPrice apresenta algo mais raro: um varejo com memória, método e missão.

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