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A LEGO mostra como a loja física pode voltar a ser protagonista no varejo

Nova York – durante a NRF, a principal feira global de varejo, uma visita técnica à LEGO Store deixa uma mensagem clara para líderes do setor: loja física não é canal de venda: é ativo estratégico de marca, relacionamento e crescimento.

A LEGO Store de Nova York não foi pensada para “expor produtos”. Ela foi desenhada para materializar a essência da marca. Em dois andares, com experiências imersivas, personalização, ativações exclusivas e um time treinado para brincar junto com o cliente, a loja funciona como um verdadeiro hub de engajamento, conversão e fidelização.

Mais do que vender brinquedos, a LEGO ensina algo essencial para o varejo contemporâneo: as pessoas não entram mais em uma loja apenas para comprar: elas entram para viver algo que não existe no online.

 

A loja como destino, não como ponto de venda

Logo na entrada, fica evidente que o espaço foi pensado para estimular descoberta. Não há um fluxo rígido. O cliente é convidado a explorar, testar, tocar, montar e interagir. Crianças brincam. Adultos se conectam por nostalgia, design e colecionáveis.

O resultado é uma loja que não depende de promoção para gerar tráfego, mas sim de experiência, exclusividade e recorrência.

Alguns pontos chamam atenção:

  • Lançamentos sincronizados com a cultura pop, chegando às lojas no mesmo dia de estreias de séries, filmes ou jogos
  • Produtos exclusivos da loja, que não existem no e-commerce
  • Customização em tempo real, como a criação de minifiguras personalizadas e mosaicos a partir de fotos
  • Itens de entrada (souvenirs) que funcionam como porta de acesso à marca
  • Coleções premium e sets para adultos, com tíquete elevado e forte apelo emocional

Tudo isso reforça a loja como um destino físico obrigatório, inclusive para consumidores que já compram online.

 

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Pessoas no centro da experiência (de verdade)

Outro diferencial claro está no papel do time. A LEGO investe em processos rig

orosos de recrutamento e treinamento, muito acima da média do varejo. O objetivo não é apenas ensinar produto, mas formar pessoas capazes de contar histórias, estimular o brincar e criar conexão emocional.

Há treinamento estruturado, acompanhamento contínuo, feedback diário e rituais internos que reforçam a cultura da marca, inclusive dias dedicados exclusivamente ao “play”.

O vendedor deixa de ser operador de caixa e passa a ser embaixador da experiência.

Loja física e digital: mundos diferentes, papéis complementares

A LEGO não tenta transformar a loja em um mini e-commerce. Pelo contrário. O discurso é claro:

“Online você compra. Aqui você vive.”

Quando o produto não está disponível fisicamente, o time ajuda o cliente a comprar online — mas sem abrir mão da experiência presencial. A loja mantém sua relevância porque entrega algo que o digital não consegue replicar: interação humana, experimentação e memória emocional.

 

“A visita à LEGO reforça uma verdade cada vez mais evidente: a loja física só continua relevante quando entrega algo que justifique o consumidor sair de casa. Não é sobre vender produtos, é sobre criar experiência, interação humana e memória emocional com a marca.”

Lyana Bittencourt

 

O que o varejo pode aprender com a LEGO

A visita deixa lições diretas para redes de varejo, franquias e marcas em expansão:

  1. Experiência não é cenário bonito — é estratégia de negócio
  2. Exclusividade física é um diferencial competitivo real
  3. Customização aumenta valor percebido e margem
  4. Adultos também querem brincar (e pagar por isso)
  5. Equipe bem treinada vende mais sem precisar vender

 

Como colocar em prática

Para líderes que querem transformar suas lojas em ativos estratégicos, algumas reflexões práticas:

  • Reavalie o papel da loja: ela existe para giro de estoque ou para fortalecer a marca?
  • Crie experiências que só existam no físico, mesmo que simples
  • Desenvolva produtos, serviços ou ativações exclusivas por loja ou região
  • Invista na formação do time como parte da estratégia, não como custo operacional
  • Use a loja para gerar vínculo emocional. A venda será consequência

 

A LEGO não está reinventando o varejo. Está apenas executando com consistência algo que muitos já sabem, mas poucos colocam em prática: no mundo hiperconectado, quem cria experiência relevante conquista espaço, lembrança e preferência.

E isso, definitivamente, não é brincadeira.

 

 

Sobre as visitas técnicas: As visitas técnicas fazem parte da programação exclusiva da Delegação Gouvêa Experience e apresentam operações de varejo com aprendizados práticos para executivos brasileiros, traduzidos por Lyana Bittencourt sob uma leitura crítica e aplicável ao mercado nacional.

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