‘Falta de memória’ induz brasileiro a ampliar gasto com consumo em 2018

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Consumidor doméstico “esquece” crise e demonstra otimismo e propensão para gastos maiores que a média global; relevância de comércio virtual cresce, mas lojas físicas recuperam clientes

Primeiros sinais de retomada foram suficientes para brasileiro voltar a planejar gastos com consumo Quase metade (48%) dos brasileiros deve gastar mais com compras neste ano do que em 2017, de acordo com a consultoria PwC. Tal otimismo reflete a recuperação gradual do setor, mas também evidencia a reação emocional do consumidor doméstico frente o cenário macroeconômico.  De acordo com pesquisa realizada em 27 países e divulgada ontem (03), o brasileiro espera mais de 2018 do que a média global de consumidores: se no mundo 32% das pessoas creem em um ano melhor que 2017, aqui, tal percentual bate os 49%. O bom humor se reflete na expectativa de compra durante o ano: 15% dos brasileiros prevêem gastar “muito mais” em 2018 frente o ano passado (contra 12% no resto do mundo), enquanto 33% apostam em um volume de compras um pouco maior (a média global é 25%). Apesar de positivos, os números chamaram a atenção de especialistas da PwC. “Estamos recém saindo de um processo recessivo de mais de três anos, mas para o brasileiro bastou um ano enxergando que não haverá recessão que ele já começa a ter uma  expectativa de crescimento de compras”, observou o diretor da área de varejo e consumo da consultoria, Alexandre Horta.  “Apesar de estar fora do período recessivo há mais tempo, o consumidor da Europa e dos EUA ainda é mais cauteloso. [No Brasil], a propensão ao consumo e a falta de memória nos acompanham”, completou ele. A “tendência do brasileiro em relaxar mais rápido”, conforme palavras do especialista, pode levar o consumidor doméstico a abandonar, de forma gradual, certos hábitos adquiridos durante a crise, como o maior consumo em atacarejos e a redução de gastos com lazer e entretenimento. “Quando alguém compra um carro automático, ele não quer mais saber do manual”, brincou o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Cláudio Felisoni, em referência ao retorno de hábitos mais sofisticados. Na avaliação do dirigente, “a retomada de variáveis fundamentais para o consumo como renda, inflação, emprego e taxa de juros tem feito que o consumo das famílias cresça em relação ao registrado em períodos menos auspiciosos”, tornando mais factível a retomada no otimismo do consumidor brasileiro.  Prova disso seria o resultado da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) em janeiro: segundo o indicador, o volume de vendas do comércio varejista no primeiro mês do ano foi 3,2% melhor que o registrado no mesmo período de 2017. Felisoni, contudo, não minimiza o poder de interferência da agenda política na reação do consumo das famílias. “A desconexão dos cenários político e econômico só existe no curto prazo; no médio e no longo, a política ainda condiciona. Com as eleições neste ano,  teremos um grande cenário de incerteza.” Comedidos Não são todos os consumidores, contudo, que  já “esqueceram” completamente o fantasma da crise. Segundo a PwC, entre os 27% dos brasileiros que pretendem gastar menos em 2018 frente 2017, a grande maioria (83%) ainda cita a recessão econômica como principal causa.  “A nossa preocupação com a recessão [entre os consumidores que prevêem queda nos gastos] é a maior do mundo”, afirmou o sócio da PwC, Ricardo Neves. Globalmente, 45% do contingente que deve reduzir o volume de compras alegou o cenário macroeconômico como justificativa. Tendências A PwC também constatou que a frequência de visita dos brasileiros às lojas físicas se recuperou após dois anos de retração consecutivos: 61% dos consumidores afirmaram frequentar pontos de venda ao menos uma vez por mês, ante 55% um ano antes. Em 2013, tal percentual alcançava 70%. No caso do comércio online, 65% dos consumidores alegaram utilizar a opção pelo menos uma vez ao mês. Já as compras a partir de celulares são um hábito mensal para 41% dos entrevistados, ou mais que o dobro dos 20% registrados há cinco anos. Adicionalmente, pouco menos de um terço (29%) dos brasileiros informou receios com segurança na hora de comprar via smartphones. O percentual cresceu em um ano (ante 22%), mas é bem menor que os 47% identificados pela PwC em 2014. O Brasil também se destacou como o mercado que mais cobiça assistentes pessoais como os oferecidos por gigantes como Amazon e Google: 59% dos consumidores manifestaram interesse na tecnologia, hoje presente em cerca de 14% dos lares brasileiros. Por último, a PwC afirma que 57% dos entrevistados no País estão confortáveis com varejistas monitorando padrões e históricos de compra, desde que a prática se reflita em ofertas personalizadas. Só  20% dos mais de mil  respondentes não aprovam a prática.