Com Burger King, 3G triplica lucro

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A reestruturação implementada pela 3G Capital na operação da rede Burger King e da cafeteria Tim Hortons tem se refletido nos resultados do grupo, especialmente nas linhas em que há pressão maior de custos e despesas. Fundada em 2014 por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, a 3G é controladora das duas redes que fazem parte da Restaurant Brands International (RBI). Números publicados ontem mostram que as vendas líquidas da RBI subiram 5,2% de outubro a dezembro de 2016, para US$ 1,1 bilhão — até um pouco abaixo do trimestre anterior, quando a alta foi de 5,5% — mas custos com mer- cadorias vendidas diminuíram em US$ 13 milhões no trimestre, uma queda de 3% sobre um ano antes. As despesas operacionais encolheram mais de um terço, acima do ritmo de queda do trimestre anterior, quando a redução foi de 13%. Como resultado, o lucro líquido da RBI de outubro a dezembro subiu cerca de 63%, para pouco mais de US$ 301 milhões — o lucro dos controladores mais que dobrou, disparando 129%. No acumulado do ano passado, o quadro geral foi o mesmo. As vendas subiram um dígito magro, 2,3% (em 2015, caíram 3%), mas com custos 4,5% menores e despesas caindo 29%, o lucro líquido quase dobrou para US$ 956 milhões. No caso dos sócios controladores da empresa, incluindo os acionistas brasileiros, o lucro triplicou de US$ 104 milhões para US$ 345,6 milhões em 2016. Na concorrente McDonald’s (que inclui as vendas de sua cafeteria), a maior rede de fast-food do mundo, as ordens de grandeza são maiores, mas o desempenho fica abaixo da RBI. Ambas as redes foram fundadas nos anos 50. No McDonald’s, o lucro líquido caiu 1% de outubro a dezembro, para US$ 1,19 bilhão. No acumulado do ano passado, a alta atingiu 3%, para US$ 4,7 bilhões. Daniel Schwartz, presidente da RBI, voltou a falar ontem, para analistas, na busca por resultados como reflexo de um “contínuo foco em disciplina de custos”, algo frequentemente mencionado pela equipe oriunda da 3G. Segundo ele, os resultados do grupo, com 20 mil restaurantes em cerca de 100 países, refletem um conjunto de estratégias em implantação. Uma dessas estratégias envolve o fechamento de parcerias com master franqueados em mercados internacionais, para uma expansão orgânica mais acelerada — a RBI tem feito acordos para crescer na França, Espanha, Rússia, México e no Brasil. No país, onde a Vinci Partners é sócia controladora da subsidiária do Burger King, que tem a 3G também como acionista, a expansão da RBI deve passar pela entrada da Tim Hortons no mercado local. Ontem, Schwartz disse que a Tim Hortons tem buscado “outras estratégias de crescimento”. O Valor apurou que está em estudo hoje por parte da 3G a entrada da rede de cafés e donuts no Brasil. Mas isso não deve ocorrer neste ano, segundo uma fonte a par do assunto. Um dos caminhos do crescimento é abertura conjunta de algumas lojas, ou seja, uma unidade do Burger King e da Tim Hortons num mesmo espaço. Neste ano, a rede chegou no México. Schwartz disse que os resultados do Burger King no país e na Argentina explicam o desempenho “forte” na região latina e no Caribe, com alta de 8,7% nas vendas “mesmas lojas” (pontos abertos há mais de um ano) em 2016. Fonte: Valor Econômico