Grupo Bittencourt
Grupo Bittencourt

Inteligência Artificial no Franchising: as 5 fases que estão redesenhando a lógica das redes

Uma leitura estratégica da visita técnica experiencial da HeadOffice.ai na IFA 2026

Em mais um dia de visitas técnicas em São Francisco, integrando a delegação oficial da ABF, tivemos uma experiencia conduzida por Marco Carvalho, CEO da Headoffice.ai, que conectava gastronomia, tecnologia e estratégia de forma provocativa.

Enquanto um chef preparava pratos em tempo real, cada etapa da experiência sensorial simbolizava uma fase da evolução da inteligência artificial. A proposta não era estética. Era estratégica. Assim como os sabores evoluíam no prato, a IA evolui dentro das organizações, deixando de ser ferramenta e passando a ser infraestrutura.

Para quem atua com estratégia de expansão e crescimento estruturado de redes, o que foi apresentado não pode ser tratado como tendência distante. Trata-se de uma mudança de lógica.

 

A evolução da IA nas redes: da automação à reconfiguração estrutural

A inteligência artificial nas redes de franquias não evolui de forma incremental. Ela altera processos, redistribui responsabilidades e muda o eixo de decisão.

As cinco fases apresentadas durante a visita, como uma jornada de evolução com um horizonte de 5 anos (2025 a 2029-30+) ajudam a organizar essa transformação.

 

1. Fase Conversacional: padronização, eficiência e controle do conhecimento

A fase conversacional é o ponto de entrada da maioria das redes na inteligência artificial. Entretanto, reduzir essa etapa a “chatbot” é uma leitura superficial. O que está em jogo aqui é a organização do conhecimento da rede.

Redes de franquias crescem e, com o crescimento, cresce também a complexidade da informação. Manuais, comunicados, circulares, treinamentos, políticas operacionais e diretrizes comerciais passam a depender de múltiplos interlocutores. Nesse cenário, surgem distorções, interpretações equivocadas e desalinhamentos.

A IA conversacional atua como camada estruturante. Ela centraliza informação, reduz ruído e garante consistência nas respostas. Além disso, diminui dependência de áreas administrativas sobrecarregadas e reduz retrabalho interno.

Para redes em expansão, isso significa mais controle e menos variabilidade.

Embora ainda seja uma inteligência reativa, essa fase já melhora eficiência operacional e fortalece governança. É a base para qualquer avanço posterior.

Na pratica ela responde perguntas, organiza informações e executa tarefas delimitadas.

 

2. Fase Autônoma: execução de jornadas completas e eliminação de gargalos

Na fase autônoma ocorre a primeira grande ruptura estratégica. A inteligência artificial deixa de apenas responder e passa a conduzir processos inteiros com objetivo definido.

No contexto da expansão de franquias, essa mudança é profunda. A IA passa a:

  • Receber e qualificar candidatos;
  • Interpretar aderência ao perfil da marca;
  • Realizar follow-ups automáticos e contextualizados;
  • Agendar reuniões; e
  • Organizar documentação inicial.

Isso elimina o chamado “tempo morto”, um dos maiores inimigos da conversão – o gap entre o contato do lead e a resposta do time, que pode significar a perda de uma oportunidade de expansão. Em um ambiente competitivo, a demora no retorno compromete oportunidades. Redes que operam com agilidade ampliam probabilidade de conversão e reduzem perda de leads qualificados.

Além disso, a IA autônoma aprende com os dados gerados. Ela identifica padrões de conversão, regiões mais promissoras e perfis mais aderentes ao modelo de negócio.

A expansão deixa de ser apenas comercial e passa a ser analítica.

Esse estágio já altera a lógica de escala da rede. Ele reduz dependência de acompanhamento manual e amplia previsibilidade de resultado.

 

3. Fase Multimodal: integração entre operação física, dados e inteligência preditiva

Na terceira etapa, a IA avança para um nível de organização mais sofisticado: agentes distintos passam a atuar em conjunto, colaborando entre si para cumprir objetivos mais complexos. A fase multimodal representa um avanço estratégico para o franchising, especialmente, para redes de varejo e serviços.

Aqui, a IA passa a integrar múltiplas fontes de dados simultaneamente: câmeras, sensores, sistemas de gestão, dados demográficos e histórico de performance das unidades.

Isso permite que a gestão saia do modelo reativo e avance para um modelo preditivo.

Na prática, impacta:

Expansão de unidades

A análise de ponto comercial passa a considerar não apenas fluxo ou demografia, mas correlações complexas entre comportamento do entorno e desempenho de unidades similares.

Consultoria de campo

A verificação de execução deixa de depender exclusivamente de visitas presenciais. A IA pode identificar desvios operacionais e inconsistências de padrão.

Gestão de performance

Com cruzamento de múltiplos data points, decisões deixam de ser baseadas apenas em indicadores isolados.

Para redes com centenas de unidades, essa camada de inteligência é transformadora. Ela amplia controle, reduz assimetria de informação e melhora qualidade da decisão estratégica.

 

4. Fase Física: quando a IA ganha corpo e entra na operação

A quarta fase, como apresentada pelo CEO da HeadOffice.ai, não foi tratada como ficção futurista. Foi apresentada como desdobramento natural da evolução da IA autônoma. Depois que a inteligência aprende a conversar e agir sozinha, o próximo passo será executar no mundo físico.

Ele trouxe exemplos claros:

  • Robôs para lavagem automotiva
  • Equipamentos que preparam alimentos
  • Estruturas capazes de executar tarefas repetitivas
  • Desenvolvimento de agentes humanoides

O ponto central não foi apenas a existência do robô. Foi a maturidade do modelo.

Hoje, muitos equipamentos exigem adaptações físicas complexas, o que limita escala. A evolução caminha para dispositivos que operem dentro da estrutura já existente das lojas.

No franchising, isso é particularmente relevante.

Grande parte das redes opera com tarefas repetitivas, padronizadas e com alta dependência de mão de obra operacional. Em segmentos como alimentação, por exemplo, a dificuldade de contratação e a variabilidade na execução são desafios recorrentes.

A automação física integrada à IA pode reduzir essa variabilidade e aumentar previsibilidade operacional.

 

5. Fase Ecossistema AGI: AI First como mentalidade estratégica

Esta é a fase mais desafiadora. Tornar-se AI First não significa colocar tecnologia acima da estratégia. Significa que, diante de qualquer desafio, a primeira reflexão deve considerar como a inteligência artificial pode estruturar a solução.

Essa mudança exige:

  • Revisão de workflows
  • Capacitação transversal das equipes
  • Descentralização do uso da tecnologia
  • Governança clara

Um dos pontos mais relevantes discutidos foi o risco de concentrar a agenda de IA apenas na área de TI. Em redes de franquias, onde velocidade e padronização são essenciais, isso cria gargalos e reduz eficiência.

Redes maduras começam a estruturar múltiplos agentes internos, cada um responsável por uma função específica. Esses agentes interagem entre si, trocam informações e constroem fluxos inteligentes.

O resultado é uma organização mais ágil, com decisões baseadas em dados e menor dependência de processos manuais.

 

Brasil e Estados Unidos: não é sobre atraso, é sobre abordagem

Um ponto relevante que Marco nos trouxe, foi a comparação entre Brasil e Estados Unidos no uso de agentes de inteligência artificial. Contrariando o senso comum, o Brasil hoje já é o segundo país no mundo em uso de agentes de IA. Esse dado desmonta o paradigma de que estamos tecnologicamente atrás em adoção prática.

Nos Estados Unidos, especialmente em grandes corporações, o avanço da IA está fortemente condicionado a temas como governança, compliance, segurança jurídica e proteção de dados. A maturidade regulatória e o nível de exposição jurídica fazem com que muitas empresas avancem com cautela.

No Brasil, por outro lado, há uma característica cultural diferente. As empresas tendem a experimentar mais cedo, testar com maior agilidade e assumir riscos controlados com mais audácia. Isso não significa irresponsabilidade. Significa apetite por aprendizado prático.

Essa diferença de abordagem gera um cenário interessante.

Enquanto o mercado americano estrutura protocolos robustos antes da implementação ampla, o mercado brasileiro muitas vezes aprende fazendo, ajustando e evoluindo em ciclos mais rápidos.

No contexto do franchising, isso pode se transformar em vantagem competitiva. Redes brasileiras que estruturarem governança adequada, mas mantiverem velocidade de experimentação, podem acelerar curva de maturidade tecnológica.

Portanto, a discussão não é sobre quem está à frente. É sobre como cada mercado equilibra inovação e segurança.

E, nesse ponto, o Brasil não é seguidor. É protagonista.

 

Galeria de Fotos

 

Caroline Bittencourt, sócia-diretora de Relacionamento & Insights do Grupo BITTENCOURT
Caroline Bittencourt viaja aos Estados Unidos para a 66ª Convenção Anual da InternationalFranchise Association (IFA) com a delegação da Associação Brasileira de Franchising (ABF)

 

Acompanhe o
Grupo BITTENCOURT
na IFA 2026!

Adicione o texto do seu título aqui

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.