Mais do que apresentar tendências pontuais, a programação da convenção funciona como um indicador das prioridades estratégicas que estão ganhando força no franchising mundial.
Em 2026, a presença de franqueadores, fornecedores do sistema e representantes do franchising nacional na delegação da ABF aproxima os debates internacionais das decisões que impactam diretamente quem avalia investir em franquias ou estruturar o modelo como estratégia de crescimento no Brasil.
Um franchising que tende a priorizar qualidade do crescimento
A expectativa em relação à agenda global é clara.
O franchising segue em expansão, porém com um foco cada vez maior em qualidade do crescimento, sustentabilidade do modelo e retorno efetivo por unidade.
Esse movimento sinaliza a valorização de redes que crescem de forma estruturada, com critérios claros de expansão, suporte consistente e maior previsibilidade operacional.
Crescer deixa de ser apenas abrir novas unidades e passa a significar manter desempenho, padrão e rentabilidade ao longo do tempo.
Operação e liderança como fatores centrais de decisão
Outro aprendizado que deve ganhar destaque na convenção está ligado ao papel da liderança operacional.
A expectativa é que o evento reforce que boas oportunidades em franquias estão menos associadas a discursos comerciais e mais à capacidade da franqueadora de sustentar a operação do franqueado no dia a dia.
Por isso, é importante avaliar:
- a estrutura de suporte oferecida pela rede
- a clareza de processos e indicadores
- a forma como a franqueadora atua diante de desafios operacionais
Modelos com liderança e operação bem estruturados tendem a apresentar maior consistência de resultados.
Questionar consensos como sinal de maturidade do mercado
A programação da IFA Convention também deve reforçar uma abordagem mais crítica em relação a práticas que se tornaram automáticas no setor.
Crescimento acelerado, padronizações rígidas ou formatos únicos para contextos distintos passam a ser questionados.
Essa lógica se conecta ao conceito de Contrarian Thinking, difundido por Codie Sanchez, uma das principais palestrantes da IFA Convention neste ano, que propõe questionar consensos consolidados do mercado e decisões tomadas por inércia, especialmente quando deixam de gerar valor econômico e operacional.
A expectativa é que esse debate fortaleça uma mensagem importante: nem sempre a franquia que mais cresce é a melhor oportunidade.
Rentabilidade por unidade, maturidade do modelo e capacidade de adaptação tendem a ganhar mais peso na análise.
Tecnologia e dados como base para escolhas mais seguras
A tecnologia deve aparecer na convenção como ferramenta prática de decisão e não como promessa abstrata.
Temas ligados ao uso de dados para expansão, escolha de pontos, marketing local e acompanhamento de desempenho devem ser destaque no evento.
E isso sinaliza redes mais preparadas para:
- reduzir riscos na implantação
- apoiar o franqueado desde o início da operação
- corrigir desvios de performance com mais agilidade
Franquias que utilizam dados de forma estruturada tendem a oferecer maior segurança para quem tem interesse em entrar no mercado.
O perfil do investidor também deve entrar no debate
Outro ponto que a agenda internacional tende a reforçar é o aumento da complexidade do ambiente de negócios.
Custos operacionais pressionam margens, consumidores estão mais exigentes e a concorrência se intensifica.
Nesse cenário, investir em franquia exige mais do que capital.
Exige capacidade de gestão, liderança de equipes e tomada de decisão sob pressão.
A expectativa é que a convenção reforce a importância do alinhamento entre o perfil do investidor e o nível de exigência do modelo escolhido.
Marca forte como resultado de consistência
A programação também deve destacar que marcas fortes não se sustentam apenas por marketing, mas por consistência ao longo do tempo.
Cultura, padrão de atendimento, clareza de posicionamento e uma sinergia entre franqueador e franqueados tendem a aparecer como fatores decisivos de performance.
Isso reforça a importância de olhar além da comunicação e entender como a marca se comporta na prática.
O cliente como ativo estratégico do franchising
Outro aprendizado esperado diz respeito à centralidade do cliente no modelo de franquias.
A expectativa é que temas ligados à experiência, fidelização e engajamento ganhem espaço como pilares do crescimento sustentável, dando maior ênfase, portanto, ao potencial de recorrência do negócio e à resiliência da unidade em mercados mais competitivos.
Decisões mais racionais em um cenário econômico mais exigente
Por fim, a agenda da IFA Convention deve reforçar a importância do contexto econômico nas decisões de expansão.
O franchising global sinaliza maior rigor financeiro, atenção ao retorno sobre o capital investido e cautela com projeções excessivamente otimistas.
Por isto, é necessária ao investidor fazer uma análise criteriosa de números, das premissas e do histórico das redes.
O que essa agenda representa para o setor de Franquias no Brasil
A expectativa em torno da maior convenção mundial de franchising aponta para um mercado mais maduro, analítico e seletivo.
Investir em franquias continua sendo uma alternativa relevante, porém exige mais critério, mais informação e decisões mais conscientes.
A participação de executivos brasileiros na IFA Convention, como parte da delegação da ABF, reforça a importância de acompanhar essas discussões e traduzir aprendizados globais para a realidade do mercado brasileiro. Mais do que seguir tendências, o momento pede preparação e discernimento estratégico.
Por Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT – Consultoria especializada no desenvolvimento, expansão e gestão de redes de negócios e franquias








