Entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 2026, o Mandalay Bay Convention Center, em Las Vegas, recebe a 66ª Convenção Anual da International Franchise Association (IFA), considerada o maior e mais influente encontro do setor de franquias no mundo. O evento reúne milhares de franqueadores, franqueados, fornecedores e líderes do setor para debater tendências, compartilhar práticas e impulsionar conexões estratégicas.
Com o tema “Evolve”, a edição deste ano promete uma experiência transformadora, com novos formatos de networking, laboratórios de tecnologia e inteligência artificial, além de trilhas de aprendizado imersivas voltadas para inovação e crescimento sustentável.
Destaques da programação
- Keynotes e painéis estratégicos: palestras com líderes globais, incluindo nomes como Daymond John, abordando inovação e liderança em franchising.
- AI + Technology Lab: espaço dedicado a soluções digitais e inteligência artificial aplicadas ao setor.
- Franchise City e Innovation Theaters: arenas para apresentação de cases e práticas de redes que estão redefinindo modelos de negócio.
- Networking evoluído: hubs de encontro e áreas privadas para reuniões, além de experiências sociais como o novo Beer Garden .
O momento do franchising no Brasil
O setor de franquias brasileiro chega a 2026 em uma fase de maior maturidade. Após anos de expansão acelerada, o mercado agora busca eficiência operacional, uso pragmático da tecnologia e interiorização das redes, além de avançar em movimentos de consolidação como fusões e aquisições. A inteligência artificial e a digitalização dos processos aparecem como pilares estratégicos para aumentar competitividade e reduzir custos .
Segundo especialistas, 2026 deve ser um ano de oportunidades para redes que souberem alinhar inovação com gestão eficiente, aproveitando o bom momento de faturamento e expansão internacional observado em 2025.
Conexão Brasil–EUA
A participação de empresários brasileiros na IFA 2026 é vista como estratégica para acompanhar tendências globais e adaptar práticas ao mercado nacional. A troca de experiências com players internacionais pode acelerar a evolução das redes brasileiras, especialmente em áreas como tecnologia, marketing digital e modelos híbridos de operação.
A GZM conversou com Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT, que integra a delegação brasileira no evento, junto com a ABF, para saber mais detalhes sobre expectativas e o que esperar de impactos do evento para o setor Confira:
GZM: A Convenção da IFA é reconhecida como o maior evento de franchising do mundo. Qual é a importância da sua participação nesta edição?
Lyana Bittencourt: A participação na Convenção da IFA, que acontece de 23 a 25 de fevereiro, em Las Vegas (EUA), é relevante porque permite acompanharmos as principais discussões, práticas e movimentos estratégicos que estão moldando o franchising em escala global. Estar presente nesse ambiente possibilita uma leitura mais precisa dos rumos do setor, a partir da convivência com mercados mais maduros e com diferentes estágios de desenvolvimento.
Além disso, a participação do Grupo BITTENCOURT contribui para a troca de experiências e para o aprofundamento do entendimento sobre temas como estratégia de crescimento, padronização com performance, gestão de redes e excelência operacional, elementos fundamentais para apoiar decisões mais consistentes em projetos de expansão e gestão de redes, tanto no Brasil quanto em iniciativas de internacionalização.
GZM: Quais são as suas expectativas para o evento em termos de networking, aprendizado e oportunidades de negócios?
Lyana Bittencourt: As expectativas para a Convenção da IFA são bastante objetivas e conectadas a uma agenda estratégica de longo prazo. Em networking, o foco está na construção de conexões qualificadas com franqueadores, investidores, fornecedores e plataformas globais que tenham sinergia com projetos que desenvolvemos aqui no Brasil. Temos parcerias estratégicas relevantes que foram costuradas no evento como com Greg Nathan, maior autoridade mundial no tema de relações no franchising e com o iFranchise Group, renomada consultoria do mercado americano – ambos estão há mais de 10 anos conosco e temos trocas muito significativas.
No campo do aprendizado, a expectativa é acessar práticas avançadas de gestão, operação e crescimento já consolidadas em mercados mais maduros, especialmente em temas como experiência do cliente, gestão de rede, uso inteligente de dados e eficiência multicanal. A IFA tem essa característica clara, apesar de também falar sobre os caminhos do mercado de franquias para o futuro, ela coloca as operações no foco. Muito se fala sobre como tornar os negócios mais lucrativos, eficientes, com relações entre franqueados e franqueadores mais saudáveis e lucrativas.
E quando relacionamentos de valor são construídos e com interesse genuíno em fazer mais e melhor, as oportunidades de negócios surgem naturalmente.
GZM: Como você avalia o momento atual do setor de franchising no Brasil em comparação com outros mercados internacionais?
Lyana Bittencourt: O franchising brasileiro se caracteriza por capilaridade, capacidade de adaptação regional e um histórico de crescimento orientado por operação.
Em comparação com mercados mais consolidados, a diferença costuma estar menos no “modelo” e mais no nível de maturidade de algumas fundamentos estruturais, como dados, automação, omnicanalidade e governança de performance. A boa notícia é que esse cenário também aponta um espaço relevante para evolução e ganho de produtividade, com redes que avançam quando combinam disciplina de execução e inovação com critério.
GZM: Quais são os principais desafios que as franquias brasileiras enfrentam hoje e como a Convenção da IFA pode ajudar a encontrar soluções?
Lyana Bittencourt: As franquias brasileiras enfrentam hoje o desafio de sustentar crescimento com padronização, qualidade e rentabilidade em um ambiente cada vez mais competitivo e complexo.
A expansão precisa ser acompanhada por maior maturidade em gestão de rede, uso de indicadores de desempenho, rituais de acompanhamento e suporte efetivo ao franqueado, além de processos mais eficientes e integrados. Soma-se a isso a necessidade de atrair e selecionar franqueados com perfil aderente ao modelo de negócio, evitando crescimento baseado apenas em volume.
A Convenção da IFA contribui diretamente para esse cenário ao oferecer acesso a referências globais, cases práticos e especialistas que já enfrentaram desafios semelhantes em outros mercados. Esse contato permite acelerar o aprendizado, ajustar estratégias e reduzir a dependência de tentativa e erro, especialmente em temas como governança, tecnologia, expansão estruturada e eficiência operacional.
GZM: Há algum segmento específico do franchising brasileiro que você acredita ter maior potencial de expansão internacional nos próximos anos?
Lyana Bittencourt: Em geral, os segmentos com maior potencial são aqueles que conseguem combinar marca replicável, operação simples e escalável, diferenciação clara e boa adaptação cultural. Nesse recorte, costumam se destacar modelos com alta capacidade de padronização e experiência consistente, especialmente quando já nascem com visão de produto, treinamento e suporte orientados à expansão.
Os segmentos com maior potencial no franchising incluem Saúde, Beleza e Bem-Estar, que segue em expansão impulsionado pela busca por autocuidado e qualidade de vida; Alimentação/Food Service, sustentado pela demanda por conveniência e experiências gastronômicas; Entretenimento, Lazer e Turismo, favorecido pelo aumento da mobilidade e da procura por experiências; Limpeza e Conservação, reconhecido pela resiliência e menor complexidade operacional; e Educação, Treinamentos e Serviços Digitais, impulsionado pela necessidade crescente de qualificação e soluções baseadas em conhecimento e tecnologia.
GZM: De que forma a participação na Convenção da IFA pode contribuir para fortalecer a imagem do franchising brasileiro no cenário global?
Lyana Bittencourt: A participação de uma delegação brasileira na Convenção da IFA como articuladora e interlocutora de estratégia e excelência de execução mostra que o Brasil não é apenas um mercado grande, mas é um mercado com know-how de operação, expansão e gestão de redes.
A presença consistente em fóruns internacionais amplia credibilidade, abre portas para parcerias e ajuda a construir narrativas de marca e de setor ancoradas em maturidade, profissionalismo e capacidade de escalar.
GZM: Quais projeções você faz para o setor de franquias no Brasil até 2030, considerando inovação, digitalização e sustentabilidade?
Lyana Bittencourt: Até 2030, o franchising brasileiro tende a avançar para um estágio de maior sofisticação estratégica, com redes cada vez mais orientadas por dados, previsibilidade e performance. A digitalização deve se consolidar como elemento estrutural da operação, integrando canais, processos e gestão da jornada do consumidor, sem abrir mão da disciplina operacional que sustenta a escala.
A inovação deixa de ser pontual e passa a ser incorporada à rotina de gestão, com foco em produtividade, eficiência e melhoria contínua. No campo da sustentabilidade, o movimento será menos pautado por discurso e mais por práticas concretas de gestão, eficiência de recursos, responsabilidade na cadeia e fortalecimento da reputação das marcas. Esse conjunto de fatores tende a elevar o nível de maturidade do setor, tornando o franchising brasileiro mais competitivo, resiliente e preparado para crescer de forma consistente em um ambiente cada vez mais exigente.








