Dados da ABF indicam avanço impulsionado por serviços recorrentes, saúde e conveniência
O franchising brasileiro atravessa um momento de consolidação relevante. Em 2025, o setor registrou crescimento de 10,5% e alcançou faturamento de R$ 301,2 bilhões, ultrapassando pela primeira vez a marca de R$ 300 bilhões.
Mais do que o volume financeiro, os dados apresentados pela Associação Brasileira de Franchising indicam um movimento de amadurecimento estrutural. O número de redes manteve estabilidade em 3.297 marcas, enquanto as operações dentro dessas redes cresceram 2,4%.
Esse movimento sugere uma mudança importante na dinâmica de expansão. Na prática, o crescimento passa a ser sustentado menos pela abertura de novas marcas e mais pela capacidade de execução e escala das redes já existentes.
Segundo Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT, os números indicam um franchising mais maduro e consistente.
“Romper R$ 300 bilhões com alta de 10,5% em 2025, tendo crescimento de 2,4% nas operações dentro das redes, é sinal de um setor que evolui menos por volume de marcas e mais por capacidade de execução.”
Segmentos que mais impulsionam o crescimento do franchising
Entre os segmentos com melhor desempenho no período, três se destacam com crescimento acima da média:
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Limpeza e Conservação: +16,8%
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Saúde, Beleza e Bem-estar: +14,8%
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Alimentação, Comercialização e Distribuição: +12,9%
Embora atuem em categorias diferentes, esses segmentos compartilham uma característica comum. Todos estão diretamente conectados à rotina prática do consumidor.
De acordo com Lyana Bittencourt, essa conexão com necessidades recorrentes explica boa parte da expansão observada.
Serviços recorrentes ampliam a escala do segmento de limpeza
No segmento de Limpeza e Conservação, o crescimento está associado ao aumento da demanda por serviços cotidianos.
Lavanderias self service, por exemplo, capturam um novo hábito de consumo. O modelo combina praticidade, padronização e facilidade de uso.
Além disso, a terceirização da limpeza acompanha a busca por soluções que reduzam esforço operacional no dia a dia.
Outro fator relevante é a expansão imobiliária. Novos empreendimentos ampliam a demanda por serviços de manutenção e organização, o que favorece modelos replicáveis e com consumo recorrente.
Saúde e bem-estar reorganizam a jornada de consumo
O avanço do segmento de Saúde, Beleza e Bem-estar reflete uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor.
O autocuidado passa a ocupar um espaço mais estruturado na rotina das pessoas. Consequentemente, diferentes categorias passam a se complementar dentro dessa jornada.
Entre os movimentos observados estão:
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odontologia acessível
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farmácias ampliando o papel como hubs de saúde
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salões express com foco em agilidade
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expansão de academias franqueadas
Nesse contexto, o setor não apenas amplia vendas. Ele também reduz fricções entre necessidade, acesso e solução.
Alimentação cresce impulsionada pela conveniência
No segmento de Alimentação, Comercialização e Distribuição, o crescimento está ligado à consolidação de canais de proximidade.
Desde a pandemia, mercados autônomos vêm ampliando presença em condomínios e ambientes corporativos. Paralelamente, lojas de conveniência ganham espaço em pontos de fluxo intenso.
Hospitais, academias e centros comerciais se tornam ambientes estratégicos para esse modelo. Dessa forma, o consumo passa a ser cada vez mais orientado por conveniência e disponibilidade imediata.
Pontos críticos de atenção para líderes
Executivos e empresários que acompanham o franchising precisam observar três movimentos estruturais:
1. Crescimento por densidade operacional
A expansão ocorre dentro das redes já estabelecidas.
2. Modelos conectados à rotina real do consumidor
Serviços recorrentes e conveniência ganham relevância.
3. Eficiência operacional como diferencial competitivo
A consistência de execução passa a sustentar a expansão.
O franchising entra em uma fase de maturidade operacional
Os números de 2025 reforçam uma leitura importante sobre o franchising brasileiro.
O crescimento do setor não está mais concentrado na abertura acelerada de novas marcas. A evolução passa a acontecer pela capacidade das redes em densificar operações e capturar demanda recorrente.
Como destaca Lyana Bittencourt, o franchising demonstra que crescimento sustentável depende de consistência operacional e aderência ao comportamento real do consumidor.
Sob essa ótica, o setor avança para uma fase em que estratégia, gestão e execução passam a definir a qualidade da expansão.
Desdobramentos práticos para redes e empresas
Para líderes que estruturam expansão de franquias ou novos canais de crescimento, alguns critérios tornam-se decisivos.
Priorizar modelos replicáveis
Serviços simples, padronizados e recorrentes tendem a escalar com maior previsibilidade.
Aproximar o negócio da rotina do consumidor
Quanto mais integrado ao dia a dia, maior a frequência de consumo.
Fortalecer gestão de rede
Crescimento sustentável depende de governança e eficiência operacional.
Expandir com base em demanda real
Expansão impulsiva tende a comprometer consistência e rentabilidade.







