Grupo Bittencourt
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ESTADÃO: Novo varejo e a reinterpretação da jornada de consumo

Publicado por Grupo BITTENCOURT novembro 16, 2020
Atualizado em janeiro 19, 2023

Coluna Fausto Macedo

Em um cenário de tantas transformações, as empresas precisam fazer uma revisitação à jornada do seu consumidor, conhecer todos os novos pontos de contato – que podem estar sob controle ou não pela companhia –
e repensar seus modelos de atuação. É fato que a relevância absoluta dos negócios passa pela reinterpretação da jornada de consumo.

Em um mundo tão dinâmico, conectado e plural, com as pessoas tendo os mais diferentes tipos de interações e conexões com culturas, comportamentos e referências, os consumidores criam novas necessidades e geram novas demandas. Esse mundo fluido, faz com que as interações dos consumidores com as marcas ocorram muitas vezes sem que, sequer, o consumidor tenha contato com as equipes de vendas.

No passado, a jornada do consumidor era mais simples e os canais de venda bem delimitados, mas isso não é mais suficiente. Hoje os consumidores pedem uma experiência sem atrito, com gratificação instantânea,
experiências integradas e relevantes. O fato é que como o consumidor tem inúmeros contatos com a marca, o ambiente físico e digital se misturaram e para que as marcas se mantenham relevantes elas precisam repensar os
modelos de negócio.

Com o passar dos tempo as empresas encontrarão inúmeras formas de reinventar e inovar seus modelos de negócios. Para isso as marcas devem ter clareza do posicionamento a qual a proposta de valor que está sendo
oferecida, de forma a colocar o consumidor no centro do negócio.
Novos modelos de negócios que ganharão força em 2021:

  1. Loja conceito. É um local onde a empresa tem a possibilidade de ampliar consideravelmente a visibilidade, criar conexão com o consumidor e contar a história da marca. Além de ser um local para experimentar novas ideias, uma oportunidade de educar o consumidor (ensinando a usar os produtos, por exemplo) e um canal adicional para geração de receita. Um exemplo são as lojas Kit Kat, feitas pela Nestlé, e Havaianas Lab, que tem como objetivo a interpretação da jornada do consumidor para entender como ele interage com os produtos e se comporta dentro da loja.
  1. Direct To Consumer (DTC). Trata-se do movimento da indústria indo para o varejo. Os benefícios são: maior controle do canal de venda, possibilidade de testar novos produtos, ampliar e apresentar o portfólio, e ter a possibilidade contar sua história. Além disso, é um diferencial competitivo porque a indústria não precisa de um
    intermediário e pode conversar diretamente com o consumo, e também um canal adicional para geração de receita. Exemplos: Omo Lavanderia (Unilever), Heliar, que criou lojas conceito, expandiu via franquia e vem fazendo um trabalho forte de prestação de serviços via aplicativo etc.
  1. Loja hub. Atende o consumidor com todas as suas particularidades (entrega experiência, oferta produtos e serviços), mas também serve como forte opção de “ship from store” (vende online, usa estoque da loja) e “dark store” (armazena, separa e envia produtos vendidos online em um espaço menor do que um centro de distribuição e maior do que o estoque convencional). O modelo é um grande diferencial competitivo no mercado pois as empresas ganham eficiência na operação e agilidade na entrega. Ainda é pouco explorado pelos
    empresários, mas tem estado na pauta dos executivos. Exemplos: Amazon Fresh e Magazine Luiza.
  1. Clube de assinatura. Talvez quem tenha tentado no passado não tenha tido tanta aderência porque as pessoas não estavam tão receptivas. O fato é que o clube possibilita alcance de novos públicos, gera fidelização de clientes e receita recorrente, oportunidade de testar novos produtos e marcas parceiras. Modelo é um facilitador para quem busca conveniência e conforto. Exemplos: Solli Orgânicos, Coffee & Joy e Blue Apron
  1. Social selling. Explodiu no período de pandemia, mas normalmente o consumidor costumava ter acesso ao vendedor apenas dentro da loja. Talvez em pouco espaço de tempo a gente tenha em nossos celulares (no WhatsApp) todas as marcas com as quais desejamos conversar. As principais características positivas são: aumento do alcance da marca com investimento reduzido (relacionamento mais pessoal), atividade pode ser realizada pela própria equipe de varejo. Além disso, gera atendimento diferenciado do varejo tradicional e maior facilidade para divulgação e utilização de campanhas promocionais. Exemplos: Reserva e Tok & Stok.
  1. Lojas autônomas. Cada vez mais nós reconheceremos uma oportunidade que coloca tecnologia a favor do atendimento. Há redução do atrito na jornada do consumidor (sem interação humana, caso ele não queira), é uma operação mais enxuta do que o varejo tradicional, traz possibilidade para integração de canais e gera dados
    para entendimento dos hábitos do consumidor. É uma forma de atingir a vizinhança de um bairro, um determinado centro comercial ou mesmo um andar dentro de um prédio comercial. Exemplos: Omnibox e Boali

*Lyana Bittencourt, diretora executiva do Grupo BITTENCOURT – consultoria especializada em desenvolvimento, expansão e gestão de redes de franquias e negócios