O fitness deixou de ser um serviço local e virou uma indústria de escala, capital e dados. Quem organiza a operação como sistema captura o crescimento; quem segue artesanal perde relevância.
Economia global de wellness.
Academias no Brasil.
Penetração no Brasil, contra ~25% nos Estados Unidos.
Faturamento do fitness no Brasil.
Unidades da Smart Fit em 16 países.
Transações de M&A no setor em 2024.
Grupo BITTENCOURT — inteligência em redes de negócios
Somos uma consultoria especializada em desenvolvimento, expansão e gestão de redes de negócios e franquias, fundada em 1985. Hoje operamos como plataforma com oito frentes — da estratégia à execução, do capital à comunidade.
Este ebook nasce do BITTENCOURT Cast, gravado na ABF Franchising Expo 2026: cruzamos a pesquisa setorial mais recente com a voz de quem está construindo as redes de fitness do país.
40 anos de mercado e mais de 3.000 projetos realizados.
Do projeto à execução: estratégia, formatação, expansão e gestão de franquias.
Alcance internacional: alianças e jornada de internacionalização (Fast Track).
Nossos especialistas no episódio
Quem conduziu as conversas do BITTENCOURT Cast na ABF 2026.
O que você vai encontrar
CAPÍTULO 1
O tamanho da oportunidade
O Brasil tem a maior base de academias da América Latina e uma penetração de país emergente. A base quase dobrou entre 2019 e 2024 — ~57 mil academias, ~15 milhões de alunos e R$ 17 bilhões em faturamento — enquanto apenas ~7% da população treina, contra ~25% nos EUA.
O que esse ~7% mostra não é ausência de demanda; é demanda ainda não convertida. Num mercado desse tamanho, o crescimento parou de vir de abrir a próxima unidade e passou a vir de converter e reter. Quem resolve frequência e permanência captura o avanço; quem só adiciona pontos de venda divide um teto que ainda está longe.
~7% — Penetração no Brasil, contra ~25% nos Estados Unidos, e já dobrou desde 2019. Fonte: HFA / CONFEF, 2025.
~15 mi — Alunos matriculados no Brasil, base 2024, alta de ~50% desde 2019. Fonte: Panorama Setorial Fitness Brasil, 2025.
CAPÍTULO 2
HVLP: o motor de escala
O crescimento não se distribui por igual. Concentra-se no modelo high value, low price (alto valor, baixo preço): nos EUA, o HVLP respondeu por mais de 60% do avanço de filiações desde 2019, e a Planet Fitness sozinha reúne cerca de 27% das filiações do país. A essa altura, escala deixou de ser resultado e virou barreira de entrada.
Aqui o mercado costuma ler errado. Preço baixo não é margem espremida: a mensalidade acessível é o que enche a base, e é a base recorrente que dilui imóvel e equipamento — o custo fixo que inviabiliza a operação subescala. A Smart Fit levou essa conta a 2.084 unidades em 16 países.
R$ 7,24 bi — Receita da Smart Fit em 2025, alta de 30% no ano. Fonte: Smart Fit (SMFT3), Relações com Investidores, 2026.
~27% — Fatia da Planet Fitness em todas as filiações dos Estados Unidos. Fonte: William Blair, 2025.
A Ultra não escolhe entre low cost e premium: coloca estúdios personalizados (bike, pilates, lutas, recovery) dentro da unidade de alto volume, calibra o mix por renda da região e deixa o cliente subir e descer de plano. O resultado prático é menos churn — comunidade de nicho retém melhor que preço.
CAPÍTULO 3
Novos formatos e comunidade de wellness
Não existe mais “o modelo de academia”. A categoria se estratificou por estágio de vida do cliente e por economia unitária: o estúdio compacto entrega densidade de alunos em pouca metragem; o formato automatizado troca recorrência por passe de uso; a comunidade de nicho virou a variável que segura o aluno. Cada arquétipo responde a uma conta diferente — e é essa conta, não a modalidade, que decide onde cada um cabe.
CAPÍTULO 4
GLP-1: ameaça ou canal de aquisição?
Nenhuma variável divide mais o setor hoje que os GLP-1. A pergunta que circula nos conselhos é direta: essas medicações esvaziam ou ampliam a academia? Os dados de 2025 apontam para a segunda hipótese — e por um motivo que mexe na oferta, não só no volume: o público muda o que procura ao entrar na academia.
Adultos dos Estados Unidos usando GLP-1.
Temem, acima de tudo, perder músculo.
Usuários projetados até 2030.
CAPÍTULO 5
Consolidação, capital e franquia
A mudança estrutural mais relevante para franqueadoras não está na academia, e sim na estrutura de capital por trás dela: redes viraram plataformas com capital institucional. Foram mais de 70 transações de M&A no setor em 2024, e o capital soberano já opera dentro do Brasil — a Bluefit sob controle da Mubadala.
A franquia é o que permite expandir marca e padrão com capital de terceiros, gerando royalties recorrentes. Em 2025, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar liderou o franchising brasileiro. Mas escolher entre rede própria e franqueada não é escolher qual cresce mais.
Dados do mercado
R$ 74,3 bi
Faturamento do segmento Saúde, Beleza e Bem-Estar, líder do franchising, com alta de 14,6%.
Fonte: ABF, 2025.
~90%
Da rede Ultra já é franqueada — nasceram para ser franqueadores.
Declaração do entrevistado.
“Quando nascemos, a gente nasceu para ser franqueador desde o início. O franqueado é o grande parceiro.”
Marcel Gandra, VP, Grupo Ultra Franquias
São duas filosofias de capital convivendo. A Smart Fit opera cerca de 81% das unidades diretamente: concentra captura de valor e controle de marca, ao custo de capital intensivo. As redes HVLP norte-americanas crescem por franquia somada a private equity: ganham cobertura e transferem risco, ao custo de governança mais difícil. A F45 combina expansão própria com coinvestimento: o grupo master aporta capital nas primeiras unidades, dividindo risco e know-how com o operador local, e verticaliza custos via trade company própria para encurtar o break-even. A escolha é de controle e velocidade, não de preferência.
CAPÍTULO 6
Governança, internacionalização e a janela que se fecha
A consolidação encurta a janela de quem ainda quer construir rede. Cada ano sem sistematizar expansão é um ano em que grupos com capital compram a densidade geográfica que faltava. A pergunta deixou de ser se profissionalizar governança e unit economics, e passou a ser quando — antes de virar alvo de aquisição ou perder relevância. Governança, dados e um plano de expansão claro deixaram de ser consequência do crescimento; viraram pré-condição.
Sistematizar antes de escalar. Marca consistente, custo unitário competitivo e playbook replicável são pré-condição do crescimento.
Decidir a estrutura de capital com clareza. Rede própria contra rede franqueada é escolha de controle e velocidade, não de preferência.
Reposicionar a promessa diante do GLP-1. De emagrecer para preservar massa magra, força e saúde metabólica.
Tratar dado e relacionamento como ativo. Phygital, wearables e BI sustentam a retenção sobre a base física.
VOZES DO SETOR
Quem falou no BITTENCOURT Cast
Quatro redes, quatro teses sobre como capturar a demanda de fitness no Brasil.
Estúdio compacto de treino funcional em grupo — 45 minutos de alta intensidade e senso de comunidade — declarado presente em mais de 70 países e 3.200 unidades. Tropicalização com apoio da BITTENCOURT, coinvestimento do grupo nas primeiras unidades, dividindo risco e know-how com o operador, e verticalização de custos via trade company própria.
“Está em mais de 70 países, tem mais de 3.200 unidades. É o maior estúdio fitness do mundo.”
Alex Pedron, BITTENCOURT Cast.Negócio familiar fundado em 1974 que só há cinco anos abriu ao franchising. Pioneira no modelo 24 horas, criou a área VIP para o aluno iniciante. Lançou o Fast Train — formato menor, gamificado e automatizado, com pagamento por passe de uso. Sob o plano Legacy 2030, mira mil unidades no Brasil e no exterior.
“O maior concorrente da gente não é a academia, é o sofá.”
Leandro Aguiar, BITTENCOURT Cast.Rede nascida na pandemia, em janeiro de 2021, que combina preço acessível com incremento de serviços — o posicionamento high value, low price. Coloca estúdios premium dentro do modelo low cost, calibra o mix por região e renda, e prioriza o franqueado como parceiro central: quase 90% da rede é franqueada.
“Tiramos a catraca da academia; quando você entrega confiança, recebe confiança de volta.”
Marcel Gandra, BITTENCOURT Cast.Rede low cost brasileira estruturada para escala e um evento de liquidez futuro: sociedade anônima, conselho de administração e profissionalização da franqueadora. Lê três vetores seculares — demografia e geração Z, low cost e GLP-1 — e cruza tecnologia (BI, IA, phygital) com internacionalização via sócio local em equity no México.
“O bar para a geração Z é a academia: agora a geração Z vai à academia para socializar.”
Felipe Barth de Castro, BITTENCOURT Cast.METODOLOGIA
Como esta leitura foi construída
Recorte temporal: apenas fontes publicadas em 2025 e 2026. Quando o relatório é de 2025 com dado-base 2024, o ano-base está indicado. Nenhum número foi estimado por inferência própria.









