Pequenos empresários descobrem a África e fazem bons negócios

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2013-08-07 Empresas faturam até R$ 46 milhões com a expansão de mercados como Quênia, Angola e Sudão A África, que durante anos permeou o imaginário das pessoas com conflitos sangrentos e fome extrema, começa a despertar outro tipo de sentimento: o da oportunidade. Com países inteiros a se construir e um mercado consumidor composto por 326 milhões de representantes da classe média, o continente tornou-se alvo das pequenas e médias empresas brasileiras. São negócios que aproveitam a presença das grandes corporações nacionais já estabelecidas na região, e de algumas coincidências culturais e geográficas, para conquistar espaços entre as lacunas deixadas pela concorrência europeia e a marcha chinesa, sobretudo nos segmentos do agronegócio, da construção e da infraestrutura. Dados do Ministério do Desenvolvimento destacam que a corrente comercial entre o Brasil e África (a soma entre o total exportado e importado) avançou 330% entre 2003 a 2012. O montante saltou de US$ 6,1 bilhões para US$ 26,5 bilhões em nove anos. Resultado que coincide com uma política de aproximação adotada pelo governo brasileiro e que, segundo especialistas, abriu espaço para os produtos e, depois, para a presença física das empresas. “Essa nova política externa combinou com um momento de crescimento econômico dos países africanos”, destaca o professor Sherban Leonardo Cretoiu, que coordena um núcleo de negócios internacionais da Fundação Dom Cabral. “É justamente esse momento novo de recuperação econômica e estabilidade política africana que chama a atenção dos empresários para as oportunidades do setor. Entre os emergentes, depois da China e da África do Sul, que é uma potência local, a presença brasileira é a que mais cresce ao longo dos últimos anos”, explica. Um dos exemplos desse movimento é protagonizado pela Brazilian Sudanese Agribusiness Company, criada há três anos pelo engenheiro Paulo Hegg e que faturou, em 2012, US$ 15 milhões (R$ 34,5 milhões aproximadamente) com o plantio de algodão no Sudão. Especialista em comércio exterior, Hegg começou seu relacionamento com o país há dez anos. Na época, atuava como agente de fábricas brasileiras de móveis. “Identifiquei que a geografia do Sudão é favorável para o cultivo de algodão, que eles já tinham por lá, e da soja, que introduzimos. Faltavam as nossas técnicas para ampliar os resultados”, conta Hegg, que importou do Brasil sementes, agrônomos, maquinários e a gestão para iniciar uma operação de 500 hectares de algodão às margens do rio Nilo Azul. “Em 2010, conseguimos 10 vezes a produtividade que eles estavam acostumados”, lembra Paulo Hegg, que hoje mantém um contrato com o ministério da agricultura sudanês para plantar 80 mil hectares nos próximos cinco anos. Expansão. O Quênia é outro país que busca no agronegócio uma alternativa para segurar sua expansão econômica, que em 2012 registrou alta de 4,7% no Produto Interno Bruto (PIB). É lá que o gaúcho Marcos Brandalise fatura US$ 20 milhões por ano (cerca de R$ 46 milhões) com a BraZafric. O empreendimento representa na região fabricantes brasileiros de equipamentos agrícolas, para processamento de pós-colheita e fornecedores de acessórios para construção civil. “Cheguei ao Quênia em 1993 para tocar uma operação de assistência aérea para a Organização das Nações Unidas (ONU). Acabou que deixei o negócio em 1996 para me dedicar à empresa que criei após verificar o potencial para produtos brasileiros no leste africano”, conta ele, que hoje mantém subsidiárias da BraZafric em Uganda, Luanda, Tanzânia, Moçambique e Etiópia. “Quando cheguei, a imagem do Brasil para o africano não era diferente da que tinha o europeu sobre o País, basicamente futebol e carnaval. Nos últimos seis anos, isso tem mudado. Os negócios vão bem, principalmente devido às obras de infraestrutura e a agricultura”, explica Brandalise. Gustavo Corrêa, que representa empresas brasileiras na África do Sul, alerta o empresário sobre a volatilidade do mercado da região. “Os países sofrem muito com as mudanças políticas e são sensíveis ao sobe e desce da economia internacional”, conta ele, que também tem uma escola de computação em Johannesburgo. Mercados promissores Agricultura A expansão do agronegócio, sobretudo nos países do leste africano, é financiada pelos governos e representam uma oportunidade de negócios para os empreendedores brasileiros. A carência na área se dá tanto na gestão quanto nas técnicas de plantio e fornecimento de maquinários e sementes. Construção e mineração Para sustentar a expansão, alguns países investem em infraestrutura. Mercados como o angolano e o moçambicano já contam com longo histórico de relacionamento com grandes construtoras brasileiras, como a Camargo Correa e a Odebrecht. Empresas que atuam na cadeia de valor dessas companhias têm tudo para se sobressair. O mesmo se aplica às pequenas e médias que atendem mineradoras como a Vale. Franquia O crescimento da classe média africana abre oportunidades para quem tem interesse em lucrar com o consumo na região. Algumas redes nacionais de franquia, como o Bob’s e a Carmen Steffens, de calçados, já atuam com unidades no continente.   Fonte: Estadão – PME (Acesse aqui)