Enquanto butiques crescem, varejo tradicional de carnes patina na crise

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2016-06-27 Apesar de atuarem no mesmo segmento, o varejo de carnes, açougues tradicionais e butiques de carne passam por momentos completamente diferentes. Enquanto o primeiro sente a dificuldade do momento econômico, o segundo não para de crescer. Consultados pelo DCI, economistas e empresários que atuam no setor concordam que não há concorrência entre os dois nichos. Se os açougues gourmet atendem uma fatia mais abastada da população, os populares lidam diretamente com quem tem sofrido mais com a inflação alta e a crise econômica: as classes C e D. A disparidade, segundo o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Vítor França, acontece justamente porque as butiques de carne estão atendendo um público antes órfão de atendimentos personalizados e que não tinha acesso à peças de carne mais sofisticadas. "A entrada de players neste nicho fez criar-se um novo mercado: o de açougues gourmet. Ele atende uma parcela de público que já não comprava no açougue tradicional. Portanto, não há concorrência entre eles", afirma. Na opinião do assessor, a verdadeira concorrência dos açougues populares está nos supermercados, que nos últimos anos buscaram melhorar este tipo de atendimento em seus pontos de vendas. A disparidade Um dos mais tradicionais açougues paulistanos, a rede a Tennessee, com 34 lojas espalhadas pela Grande São Paulo, apresentou retração nas vendas em cerca de 13% nos primeiros seis meses deste ano, na comparação com mesmo período do ano passado. O tíquete médio também recuou. Há um ano, os clientes do açougue desembolsavam 10% mais em cada compra. Para reverter os resultados ruins, a rede fez um esforço para cortar custos fixos. Entre energia elétrica, água e funcionários, a diminuição dos gastos realizados foi de 7%. Além disso, foi preciso diminuir a margem de lucro. "A crise é responsável por transformar os hábitos alimentares dos brasileiros. Hoje, carnes mais baratas, como as derivadas de frango e porco, por exemplo, são as campeãs de vendas. Cortes como contrafilé e alcatra, que custam cerca de R$ 30 o quilo, estão saindo só durante comemorações", conta o gerente-geral da Tennessee, Ariovaldo Viotto. Mesmo com a dificuldade, a empresa tem buscado abrir novas lojas para aumentar sua presença de mercado. Exemplo disso, no início da semana passada, a rede inaugurou uma nova loja na zona sul da capital paulista. "Como tivemos que diminuir a margem, precisamos aumentar o volume de vendas. A nova loja nos ajudará", explica. Franquia Longe dessa realidade, a franquia paranaense Da Fazenda Açougue Gourmet viu seu faturamento subir 85% durante o primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior. As vendas avançaram no mesmo ritmo, com alta de 69% na mesma base de comparação. "Atendemos um público novo, que é, em sua maioria, formado por pessoas de classe alta e que não sentem tanto a crise", comemora o diretor da Da Fazenda, Lucas Ribas. Com apenas uma loja em Ponta Grossa (PR), a rede prevê chegar a outras cidades da Região Sul, como Curitiba, Londrina e Florianópolis em breve através do franchising. Fonte: DCI