As boas praticas do mercado brasileiro

As boas praticas do mercado brasileiro

Se por um lado a Europa surge como um chamariz a investimento devido à estabilidade de que goza e aos seus 500 milhões de habitantes. Por outro, pelas suas dimensões, pelas recentes privatizações e reformas estruturais, o Brasil tem suscitado o interesse por parte de investidores quer portugueses quer espanhóis.  

Ao longo do tempo as economias emergentes tornaram-se numa nova possibilidade para mercados mais tradicionais por diferentes fatores, que se converteram em oportunidades para quem deseja expandir, criar escala, seja no mercado local ou no mercado internacional. 

A diversidade e a multidisciplinaridade étnica e social muito presentes no mercado brasileiro, são cada vez mais relevantes nas empresas, não só pela questão social, mas também pela questão de inovação. Ter pessoas com histórico de vida diferente, com visões de mundo diferentes, é fundamental para inovar. Além de estarmos a falar de um mercado de grande dimensão e com muitos recursos. 

Há uma proximidade cultural importante entre o mercado brasileiro e o mercado ibérico, além da facilidade de comunicação que a língua permite, mesmo no caso da Espanha. São mercados bastante abertos a novos modelos de negócios.  

As relações entre Portugal e Brasil dispensam apresentações, mas recentemente o interesse de Espanha pelo Brasil tem vindo a crescer, tal como o mercado ibérico se constitui uma porta de entrada dos empresários brasileiros para a Europa. Espanha é uma grande investidora na economia brasileira, em setores tão diversificados como banca, indústria e tecnologia ligada a start ups, só para citar algumas áreas. Em 2020, Espanha tornou-se o terceiro país do mundo com mais investimento no Brasil. (1)

O mercado português atrai pela inexistência de barreira linguística, acesso a contactos internacionais, obtenção de ativos estratégicos, incentivos do governo e pela receita concentrada que existe no país. De salientar, que o Brasil ocupa um lugar cimeiro no que diz respeito a investimento direto em Portugal e as relações entre ambos têm uma densidade incomparável a qualquer outro país com o qual Portugal tenha relações. Com a internacionalização das empresas brasileiras, Portugal vê um crescimento económico e a possibilidade de criação de mais postos de trabalho.  

Se formos a olhar para empresas brasileiras que estão há muitos anos em Portugal, o caso d’O Boticário, que é a maior rede de franquias de perfumarias e cosméticos do mundo, ou das Havaianas, por exemplo, é fácil perceber o valor agregado que trouxeram à economia nacional, mas mais do que isso, são marcas que passaram a fazer parte da própria identidade portuguesa. 

Atualmente, um aumento de produtividade por via tecnológica, uma valorização dos ativos das empresas, um crescente know how qualificado e a consolidação de Portugal como principal ‘hub’ para tecnológicas da Península Ibérica, tem atraído ainda mais investimento de fora. Tal como as relações comerciais com Espanha que, historicamente, são parceiros comerciais. Esta relação advém de uma afinidade cultural e evidente proximidade geográfica, que se constitui no mercado ibérico. 

Só no primeiro trimestre de 2021, o investimento feito por brasileiros em Portugal ascendeu aos 33,39 milhões de euros(2). Estas transações incluem investimentos diretos de empresas ou investidores do Brasil em ações e mercado imobiliário. 

Portugal é uma plataforma para outros mercados, Espanha é a consolidação dessa presença na Europa. Já em 2012, Mariano Rajoy, na altura primeiro-ministro espanhol, apelou à expansão das empresas brasileiras em Espanha, como forma de ultrapassar a grave crise económica que Espanha (e outros países europeus), atravessavam na altura.  

Com a pandemia o interesse mútuo de investimento entre estes três países e a vontade de fomentar o intercâmbio, não parece ter abrandado. Intercâmbio esse que não é unicamente financeiro, é igualmente uma troca de conhecimento, de criatividade, de vivências. Portugal apresenta-se como uma porta de entrada para a Europa e graças ao programa “Portugal 2030”, que tem várias linhas de incentivos tanto para se iniciar um projeto, como para fazer a ampliação da empresa, a tração de investimento continua a crescer.  

E encarar Portugal como uma porta de entrada para a Europa não se prende unicamente com a posição geográfica do país. Mas também, com o aumento dos espaços de co-work, grande atração para os nómadas digitais, tornando desta forma possível a proximidade entre empresas de todos os pontos do globo. Um cenário que não só potencia a troca de conhecimento especializado, como o conhecimento de como outros países europeus funcionam. Marcando assim, o início da globalização da uma empresa. É comum os empreendedores considerarem Portugal uma “escola” onde aprendem como se internacionalizar.  

A relação entre Espanha e Brasil, embora não tão longa, tem vindo a ser estreitada de ano para ano. Os dois países vêem-se como grandes aliados para o investimento e a atual situação pandémica marca um tempo de aproximação. A união de Brasil, Portugal e Espanha, que culturalmente são bastante próximos, visa um maior desenvolvimento e expansão dos mercados.

Em 2020, Espanha sofreu uma contração do PIB de 10,8%(3) como resultado do impacto da pandemia de Covid-19. Esta situação refletiu as principais fragilidades da economia espanhola, como as elevadas taxas de desemprego e de dívida pública, bem como uma estrutura produtiva muito dependente do turismo. Já em 2021 assistimos a um crescimento de 5%, a taxa mais elevada dos últimos 21 anos, que contrasta com a queda de 10,8% registada em 2020, segundo os últimos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol. Esta recuperação da atividade económica, sobretudo a partir do segundo semestre, foi grandemente impulsionada pelo investimento e pelo consumo, em consequência do plano nacional de recuperação.

Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal, sendo a proximidade um valor essencial para o aprofundamento das relações bilaterais. É importante potenciar os relacionamentos de complementaridade e de integração das cadeias de produção, aproveitar a tendência para uma maior diferenciação, customização e personalização do produto e acompanhar as oportunidades nas plataformas de e-commerce

Além disso, este é o tempo certo para garantir que os negócios cresçam de forma sustentável e com canais integrados para atender a uma procura cada vez maior por conveniência do consumidor, a título de exemplo. 

O mercado brasileiro tem um bom track record em internacionalização das suas empresas, na modernização do ponto de venda, é um dos países mais desenvolvidos do mundo em termos de expansão de redes de negócios, inovação de soluções que potenciem a fidelização do consumidor às marcas e tem muito a contribuir para o mercado ibérico, em termos de profissionalização e boas práticas.  

O país está bastante avançado em tudo o que é a experiência do consumidor ao longo de todo o processo de compra, o ponto de venda e até mesmo a melhor forma de expandir negócios.  Com processos e ferramentas que podem trazer um elevado nível de especialização ao mercado ibérico, como sendo o desenvolvimento de novas soluções integradas para marketplaces, Live commerce, novas parcerias estratégicas entre empresas, boas praticas de gestão e governança, ou seja, o ESG aplicado na prática. 

A importância da união dos três mercados vai além da expansão económica, é uma partilha de conhecimentos e de informação que a todos beneficia. Vai desde o imobiliário, às startups tecnológicas, passando pelo marketing digital e e-commerce, ao mundo das artes, à música, à literatura e à pintura. Simboliza um olhar novo sobre as realidades que cada país vive.

(1) Relatório de Investimento Mundial 2020 (ONU)

(2) Banco de Portugal

(3) INE (Instituto Nacional de Estatística)

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