O “apagão” dos lojistas satélites

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Nos últimos dois anos foram inaugurados 49 novos shopping centers. Em 2013 teremos 46! Um recorde histórico. Nunca tantos shopping centers inauguraram em um único ano. Outros 100 estão previstos para os próximos três anos. Mas um detalhe tem marcado grande parte destes empreendimentos – a profusão de lojas vazias, fazendo dos tapumes a paisagem principal dos corredores. Os shoppings novos não estão conseguindo captar lojistas satélites (lojas entre 30 a 150m²) em quantidade suficiente para ocupar a oferta de tantas ABL´s (áreas brutas locáveis). Neste capítulo, chama atenção a dificuldade das franquias em captar franqueados para tantos shopping centers. A oferta de candidatos não tem aumentado na mesma proporção dos novos empreendimentos. Algumas razões podem explicar o fenômeno: 1 – Risco de um franqueado abrir loja em um shopping novo – todo shopping novo tem um período de maturação que gira em torno de 2 a 4 anos. Muitas vezes, o franqueado não tem fôlego para aguardar o shopping maturar, pela falta de capital de giro. 2 – Aumento do custo de ocupação e das luvas – é fato, aos lojistas satélites recaem cada vez mais o ônus de absorverem os custos do empreendimento. A conta ficou desigual em relação às âncoras, que endurecem as negociações com os empreendedores de shoppings, que por sua vez, precisam repassar a diferença aos... satélites. Na prática isto resultou num custo de ocupação que tem pesado demais para os “pequenos” (os clássicos “10%” de CTO tem alcançado até 20% em muitos casos), sem contar que, com raras exceções, ainda tem de arcar com o pagamento das luvas. O franqueado, por ter capital restrito, muitas vezes acaba incorporando o parcelamento das luvas nos custos fixos, o que só piora a situação. 3- O Franqueador tem sido mais conservador – por ter aberto nos últimos anos diversas lojas em shoppings novos e em muitos casos não ter perfomado bem, tendo enfrentado franqueados desanimados e enfraquecidos, muitas redes de franquias tem sido cautelosas em optar pela entrada em num novo empreendimento, muitas vezes preferindo abrir novas lojas em shoppings já em funcionamento. 4 – A oferta de empregos retém o executivo – sim, o pleno emprego da economia brasileira tem retido os executivos nas suas empresas e dado perspectivas de seguir a sua carreira para os próximos anos, o que tem adiado os planos de muitos deles em empreender. 5 – A interiorização de shoppings X operadores de franquias – por último, é importante dizer que grande parte dos novos shoppings estão sendo desenvolvidos em cidades do interior em cidades médias (as pequenas ainda não receberam seus primeiros shoppings). Quando em cidades grandes, os shoppings chegam para somar a outros já existentes, aumentando a concorrência. Ocorre que tradicionalmente a quantidade de candidatos à franquia com capital suficiente para suportar os custos de abertura de uma loja nestas cidades são proporcionalmente menores aos das cidades grandes. Somado a isto, há de se considerar a  falta da cultura de shoppings e de se investir em franquias dos moradores destas cidades, além de uma maior cautela em investir em “negócios novos”. Paradoxalmente a esta realidade, a situação é inversa no caso das lojas âncoras (lojas acima de 1.000m²). A oferta de grandes lojistas que disputam a preferência pelas grandes metragens só tem aumentado e hoje faltam espaços destinados a todas as âncoras. Para o lado do empreendedor de shopping center, há de se repensar esta equação entre lojistas grandes e pequenos. O momento é de grandes mudanças no panorama de lojistas de shoppings. A entrada das redes internacionais, as dificuldades dos lojistas satélites relatadas neste artigo, o aumento da oferta de redes de âncoras, o boom do casual dining, novos players de lazer, o crescimento da oferta de serviços, tudo isto é motivo para se repensar o mix, o lay-out dos shoppings e, consequentemente, uma melhor distribuição da equação de custos entre todos estes lojistas. Marcos Hirai (marcos.hirai@bgeh.com.br) é sócio-diretor da BG&H Real Estate.

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